Amarildo: O Herói Esquecido da Copa de 62 que Hoje Luta Contra o Alzheimer

Amarildo: O Herói Esquecido da Copa de 62 que Hoje Luta Contra o Alzheimer
O futebol brasileiro é conhecido por sua grandiosidade e por ter revelado alguns dos maiores atletas de todos os tempos. No entanto, por trás das glórias e dos troféus, existe uma realidade dolorosa de ingratidão. Um dos exemplos mais emblemáticos é o de Amarildo, o homem que teve a missão quase impossível de substituir Pelé na Copa do Mundo de 1962 e ajudou o Brasil a conquistar o bicampeonato consecutivo.
Hoje, aos 86 anos, a trajetória de Amarildo não é escrita com gols, mas com uma luta resiliente contra doenças degenerativas. Internado no Rio de Janeiro desde 2023, o ex-atacante enfrenta as sequelas devastadoras do Alzheimer e de complicações vasculares, enquanto a família denuncia o apagamento de sua memória no cenário esportivo nacional.
A Batalha Silenciosa: Do Câncer ao Alzheimer
A saúde de Amarildo começou a declinar significativamente em 2011, quando foi diagnosticado com um carcinoma na laringe. Devido à gravidade do tumor, a cirurgia foi descartada, e o tratamento concentrou-se em sessões intensas de quimioterapia e radioterapia.
Embora tenha vencido o câncer, o custo para o organismo foi alto. O tratamento agressivo afetou a região cerebral, abrindo caminho para o diagnóstico de Alzheimer em 2018. A situação tornou-se ainda mais crítica em 2023, quando o ex-jogador sofreu três AVCs isquêmicos, resultando em sua internação definitiva no hospital Copa Star, em Copacabana.
“O quadro clínico do meu pai é complicado. Ele perdeu a visão e é alimentado por sonda gástrica. Fazemos de tudo para que ele possa viver dignamente”, relatou Rildo Corrêa, filho do atleta.
Para entender mais sobre a progressão desta doença e como ela afeta a cognição, você pode consultar as diretrizes da Organização Mundial da Saúde (OMS) sobre demências.
A Ingratidão do Futebol Brasileiro
Enquanto a CBF arca com os custos do plano de saúde, a família de Amarildo lamenta a ausência de homenagens e visitas. A sensação é de que o Brasil esquece seus ídolos rapidamente. Segundo Rildo, a valorização de Amarildo é paradoxalmente maior na Itália, onde brilhou em clubes como Milan, Fiorentina e Roma, do que em sua própria terra natal.
Dunga, campeão em 1994, reforça essa crítica, apontando que o Brasil parece ter dificuldade em reconhecer seus heróis, diferentemente de países como a Inglaterra, onde campeões mundiais são tratados como divindades.
O Legado de “O Possesso”: O Homem que Calou os Críticos
Para as novas gerações, é fundamental lembrar quem foi Amarildo. Em 1962, quando Pelé se lesionou, o clima na Seleção Brasileira era de “luto”. Foi então que Amarildo assumiu a responsabilidade. Com frieza e técnica, ele marcou três gols na campanha, incluindo o gol na final contra a Tchecoslováquia, garantindo o título mundial.
- n
- Ídolo no Botafogo: Marcou 136 gols em 201 jogos.
- Sucesso Europeu: Tornou-se referência técnica na liga italiana.
- Reconhecimento Global: Foi elogiado por Maradona como peça fundamental para o título de 62.
A história completa das conquistas da Seleção Brasileira pode ser revisitada no site oficial da CBF.
Conclusão: Mais que um Jogador, um Exemplo
A história de Amarildo é um lembrete urgente de que o reconhecimento não deve vir apenas após a partida. Valorizar nossos atletas enquanto eles estão presentes é um ato de justiça e respeito. Amarildo não foi apenas o substituto de Pelé; ele foi um protagonista da glória brasileira e merece que seu nome seja lembrado com a honra que sua trajetória impõe.
Compartilhar:


