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Corredor de Alma: A Emoção e a Coragem de Fernando del Valle nos Encierros de Pamplona

Corredor de Alma: A Emoção e a Coragem de Fernando del Valle nos Encierros de Pamplona

temp_image_1783245952.001702 Corredor de Alma: A Emoção e a Coragem de Fernando del Valle nos Encierros de Pamplona

A Adrenalina de Correr com o Destino: A História de Fernando del Valle

Para muitos, a ideia de correr lado a lado com touros bravos em ruas estreitas parece um pesadelo. Para Fernando del Valle, é onde ele se sente verdadeiramente vivo. Com mais de 30 anos de experiência como corredor em encierros por toda a Espanha, Fernando transformou a adrenalina em um estilo de vida, tendo as ruas de Pamplona como seu palco principal há 24 anos.

A preparação para o famoso chupinazo (o foguete que inicia as festas de San Fermín) não envolve apenas treino físico, mas rituais quase sagrados. Entre suas roupas, a camiseta do Real Valladolid é indispensável, embora ele também use camisas de sua peña em Boecillo ou homenagens a amigos. Para um corredor experiente, esses pequenos detalhes são a âncora emocional antes do caos.

Superando Limites: Entre a Lesão e a Paixão

Nem tudo são glórias no mundo dos encierros. Este ano, Fernando enfrentou seu maior adversário: a incerteza. Após uma lesão sofrida em San Sebastián de los Reyes, o corredor passou meses questionando se conseguiria retornar às ruas de Pamplona.

  • O Desafio Físico: A impossibilidade de realizar treinos específicos.
  • O Desafio Mental: A luta contra a desmotivação causada pela dúvida.
  • A Resiliência: A mentalidade de um toureiro, estando sempre pronto para o próximo desafio.

Apesar das dificuldades, a vontade de visitar o Santo e sentir a energia da cidade falou mais alto. Fernando prova que ser um corredor não é apenas sobre velocidade, mas sobre a vontade inabalável de estar presente.

O Tempo Detido e a Filosofia da Corrida

No santuário de sua casa, repleto de fotos e cicatrizes, há um objeto que resume a periculosidade e a poesia dessa prática: um relógio de pulso parado. O acessório cessou de funcionar exatamente às 8:02 da manhã de um 10 de julho, no momento exato em que caiu diante do rosto de um touro. Para Fernando, aquele relógio não marca as horas, mas preserva a memória de um instante crítico.

Sua visão sobre o sucesso é inspiradora. Enquanto muitos buscam a glória da distância ou do tempo, Fernando acredita que “uma boa corrida não é a mais longa, mas aquela que se aproveita”. Além disso, ele enfatiza que a verdadeira experiência de um corredor veterano reside em saber a hora exata de não correr.

Um Legado de Coragem

O momento mais emocionante de sua trajetória não aconteceu durante uma fuga perfeita de um touro Miura, mas sim em um encontro casual em Boecillo. Ao ver crianças brincando, ele ouviu a frase que mudou sua percepção sobre seu impacto: “Eu quero ser o touro e eu quero ser o Fernando”.

Hoje, o maior desejo de Fernando é compartilhar essa tradição com seu filho. Embora o jovem tenha sofrido ao ver os acidentes do pai, a vontade de dividirem juntos um encierro nas ruas de Pamplona é um sonho que mantém o corredor motivado a continuar.

Enquanto o relógio de San Fermín permanece parado, a vida de Fernando del Valle continua em movimento, provando que a paixão é o motor que nos faz correr, independentemente da idade ou dos obstáculos.


Saiba mais sobre as tradições: Se você tem curiosidade sobre a cultura espanhola e as festividades de Pamplona, confira as informações oficiais no Guia de Turismo da Espanha para entender a magnitude do evento.

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