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O Escândalo da Calcinha Rosa: Como Maria Esther Bueno Mudou as Regras de Wimbledon

O Escândalo da Calcinha Rosa: Como Maria Esther Bueno Mudou as Regras de Wimbledon

temp_image_1783511768.736347 O Escândalo da Calcinha Rosa: Como Maria Esther Bueno Mudou as Regras de Wimbledon

O Escândalo da Calcinha Rosa: Como Maria Esther Bueno Mudou as Regras de Wimbledon

No mundo do esporte, algumas histórias transcendem os resultados das partidas e se tornam lendas sobre estilo, comportamento e quebra de paradigmas. Uma das mais fascinantes é a de Maria Esther Bueno, a “bailarina do tênis”, e seu encontro inesperado com o conservadorismo do All England Club em 1962.

Um Toque de Rosa em um Mundo Branco

Era um dia típico de verão em Londres. Maria Esther Bueno retornava a Wimbledon após se recuperar de uma lesão. Ao pisar na Quadra Central, ela vestia a elegância habitual: um vestido branco que, à primeira vista, respeitava a tradição do torneio. No entanto, a surpresa veio no momento do saque.

Ao elevar os braços, Bueno revelou um detalhe que causou um verdadeiro “rebuliço” na plateia e na organização: o forro do vestido e a calcinha eram de um rosa vibrante. O que para a atleta era um detalhe de estilo, para a comissão organizadora — composta na época exclusivamente por homens — foi visto como um ato de audácia.

“Houve um suspiro coletivo de um lado da quadra”, relembrou Bueno anos depois, notando que a indignação só cresceu quando ela trocou de lado e o detalhe colorido ficou visível para todos.

A Origem da Regra Rígida do Branco

Embora o uso do branco fosse uma tradição desde a fundação do All England Lawn Tennis and Croquet Club (AELTC) em 1877, ela não era, inicialmente, uma regra inflexível. Foi justamente a ousadia de Bueno — que posteriormente passou a usar cores como verde e roxo em suas roupas íntimas — que levou o clube a transformar a tradição em norma.

Em 1962, o torneio reagiu implementando a regra do “predominantemente branco”. Segundo historiadores do esporte, como Rob Lake, essa medida refletia a natureza conservadora de uma instituição que não acompanhava as mudanças sociais da década de 60.

O “Mago de Wimbledon” e as Rebeldes do Tênis

Atrás desses looks polêmicos estava Ted Tinling, conhecido como o “Mago de Wimbledon”. Tinling foi o primeiro costureiro dedicado ao vestuário esportivo e vestiu cerca de 75% das tenistas do torneio entre 1940 e 1980. Ele não foi o único a desafiar as normas:

  • Gussie Moran (1949): Causou escândalo com shorts rendados, sendo acusada de trazer “vulgaridade” ao esporte.
  • Suzanne Lenglen (1919): Libertou-se dos espartilhos e anáguas, adotando vestidos mais curtos e práticos.
  • Lili de Alvarez (1931): Ousou usar saia-calça, defendendo a igualdade de gênero através da vestimenta.

Tradição ou Marca? O Wimbledon Atual

Hoje, o rigor com as cores continua. Recentemente, nomes como Serena Williams (por causa de um short colorido sob a saia) e Roger Federer (por solados de tênis laranja) foram advertidos. Especialistas sugerem que, atualmente, a regra não é mais sobre moralidade, mas sobre a identidade da marca.

Wimbledon vende a imagem de um “jardim inglês perfeito”, onde o branco imaculado contrasta com o verde da grama e os morangos com creme. É a preservação de um conto de fadas esportivo que resiste ao tempo.

A história de Maria Esther Bueno nos lembra que a moda no esporte nunca foi apenas sobre estética, mas sim sobre quem tem a coragem de desafiar o sistema, um saque de cada vez.

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