Exposibram 2026: Brasil Mira Mineração Submarina e Sustentabilidade para Liderar o Setor

Exposibram 2026: O Caminho para a Nova Era da Mineração no Brasil
A Exposibram 2026, realizada em Belo Horizonte, consolidou-se como o epicentro das discussões sobre o futuro da extração mineral no Brasil. Entre os dias 24 e 27 de agosto, líderes do setor, consultores internacionais e representantes governamentais debateram a urgência de o país se modernizar para enfrentar os desafios geopolíticos e ambientais do século XXI.
A Nova Fronteira: Mineração em Águas Internacionais
Um dos pontos mais impactantes do evento foi a análise de Kaiser Gonçalves de Souza, consultor da Autoridade Internacional dos Fundos Marinhos (ISA). Segundo Souza, o Brasil precisa agir estrategicamente para garantir sua fatia no mercado de mineração submarina, especialmente no Atlântico Sul.
A região é rica em minerais essenciais para a transição energética e tecnológica, incluindo:
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- Metais Preciosos: Ouro e Prata.
- Metais Industriais: Cobre, Zinco, Níquel e Manganês.
- Minerais Estratégicos: Cobalto e Terras Raras.
A recomendação é clara: o Brasil deve iniciar a delimitação de áreas de estudo e solicitar as devidas autorizações de pesquisa agora, para assegurar a prioridade de exploração futura frente à concorrência global.
Geopolítica, Governança e a Lição do Agronegócio
A instabilidade do cenário geopolítico atual exige que as mineradoras adotem posturas mais resilientes. Gisele Salvador, diretora financeira da Alcoa, destacou que o planejamento rigoroso e a governança são as únicas ferramentas capazes de mitigar sobressaltos em um ambiente de mudanças constantes.
Complementando essa visão, Grazielle Parenti, da Vale, sugeriu que a mineração siga o exemplo de sucesso do agronegócio brasileiro. Para Parenti, o setor deve focar em:
- Criação de políticas públicas robustas.
- Estímulo agressivo à inovação.
- Desenvolvimento de recursos para destravar o potencial produtivo nacional.
Sustentabilidade e o Impulso da Inteligência Artificial
A descarbonização deixou de ser uma tendência para se tornar uma necessidade imperativa. O Brasil leva vantagem competitiva graças à sua matriz energética renovável. Um exemplo prático citado por Leandro Chiardelli, CEO da Mineração Usiminas, é o investimento em minério de ferro de alto teor, que reduz a emissão de poluentes no processo siderúrgico.
Além da questão ambiental, a tecnologia está moldando a demanda. Mariette Byisma, da BHP, alertou que a ascensão da Inteligência Artificial (IA) elevou drasticamente a necessidade de minerais para a construção de data centers, criando janelas de oportunidade sem precedentes para as empresas do setor.
Desafios Legislativos e a Visão do Governo
Apesar do potencial, o Brasil ainda enfrenta gargalos burocráticos. Eduardo de Come, da Ero Copper, criticou a legislação defasada, citando como exemplo a limitação de apenas 6 horas diárias para o trabalho em minas subterrâneas, o que prejudica a competitividade do cobre nacional.
Em resposta, Anderson Barreto Arruda, do Ministério de Minas e Energia, afirmou que o governo está aberto ao diálogo com o setor privado para adensar cadeias produtivas e fortalecer a soberania mineral do país, com foco especial no desenvolvimento da cadeia do cobre.
Conclusão: A Exposibram 2026 deixou evidente que o futuro da mineração brasileira depende da união entre inovação tecnológica, sustentabilidade e modernização jurídica. O Brasil tem os recursos; agora, precisa da estratégia correta para liderar a extração global.
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