Operação Carbono Oculto: Entenda o Bloqueio de R$ 176 Milhões e a Teia de Fraudes no Setor de Combustíveis

Operação Carbono Oculto: Entenda o Bloqueio de R$ 176 Milhões e a Teia de Fraudes no Setor de Combustíveis
O cenário financeiro e o setor de combustíveis no Brasil foram abalados por novos desdobramentos da Operação Carbono Oculto. Recentemente, a Procuradoria-Geral do Estado de São Paulo (PGE/SP) obteve a decisão judicial para o bloqueio de R$ 176 milhões vinculados ao Banco Genial Investimentos. A medida visa garantir a recuperação de impostos sonegados em um esquema sofisticado de crime organizado.
O que é a Operação Carbono Oculto?
Deflagrada pela Polícia Federal, a Operação Carbono Oculto investiga a infiltração de organizações criminosas no mercado de combustíveis. O objetivo principal é desmantelar redes de sonegação fiscal e lavagem de dinheiro que operam sob a fachada de distribuidoras e usinas.
O caso ganha proporções alarmantes quando analisamos os números: documentos revelam que uma rede de postos ligada ao grupo movimentou impressionantes R$ 54 bilhões, mas recolheu apenas R$ 90 milhões em tributos. Isso significa que apenas 0,17% do faturamento foi destinado ao Estado. A dívida total de ICMS perseguida pela PGE/SP já soma R$ 7,6 bilhões, incluindo multas e juros.
O Papel do Banco Genial e a Estrutura Financeira
O bloqueio de R$ 176 milhões não torna o Banco Genial um investigado direto, mas sim o administrador de um fundo de investimentos (Fundo Radford) que teria sido “contaminado” por recursos ilícitos. De acordo com as investigações, o fluxo financeiro teria passado por diversas camadas para ocultar a origem do dinheiro:
- Fundo MABRUK II: Utilizado para a aquisição de usinas de açúcar e etanol (Itajobi e Carolo).
- BK Instituição de Pagamento: Operava com as chamadas “contas bolsões”, que misturavam recursos de diversos clientes em uma única conta, dificultando o rastreamento pelos órgãos de controle.
- Movimentações Circulares: O uso de debêntures de empresas de fachada para circular capitais e simular legalidade.
As Fraudes Além da Sonegação
A Operação Carbono Oculto revelou que as empresas Áster e Copape, controladas pelos empresários Mohamad Hussein Mourad (“Primo”) e Roberto Augusto Leme da Silva (“Beto Louco”), utilizavam táticas agressivas de fraude:
- Inflação de Insumos: Aumentavam artificialmente os preços de produtos negociados entre empresas do mesmo grupo para gerar créditos indevidos de ICMS.
- Substituição de Empresas: Após terem as licenças cassadas pela ANP (Agência Nacional do Petróleo), as empresas foram encerradas e substituídas por novas entidades (como Duvale e Rodopetro) para continuar operando ilegalmente.
O Posicionamento do Banco Genial
Em nota oficial, o Banco Genial Investimentos esclareceu que não é alvo da investigação e que sua atuação foi estritamente como administradora fiduciária. A instituição afirmou que:
“A medida cautelar fiscal foi movida contra empresas do setor de combustíveis, não sendo o Banco Genial parte na ação fiscal. As operações envolvem estruturas financeiras usuais de mercado e não há impacto nas operações nem no atendimento aos nossos clientes.”
O banco ressaltou ainda que já renunciou à administração do portfólio em questão e está colaborando integralmente com as autoridades competentes.
Conclusão
A Operação Carbono Oculto serve como um alerta sobre a complexidade dos crimes financeiros modernos, onde a linha entre a gestão de investimentos e a lavagem de dinheiro pode se tornar tênue quando não há a devida diligência. O caso segue em segredo de Justiça, mas a recuperação dos bilhões sonegados continua sendo a prioridade do Estado de São Paulo.
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