Passagens Aéreas: A Reforma Tributária Vai Encarecer Suas Viagens? Entenda o Impacto

Passagens Aéreas: A Reforma Tributária Vai Encarecer Suas Viagens?
Se você costuma planejar viagens e busca sempre as melhores ofertas de passagens aéreas, precisa ficar atento às movimentações nos bastidores da economia brasileira. Com a chegada da Reforma Tributária prevista para entrar em vigor plenamente em janeiro, surge uma dúvida crucial para o consumidor: os voos ficarão mais caros?
Atualmente, as grandes companhias aéreas do Brasil travam uma batalha estratégica com a equipe econômica do governo. O objetivo? Serem enquadradas como operadoras de aviação regional para garantir a sobrevivência de suas margens de lucro e, consequentemente, evitar repasses agressivos nos preços para o consumidor final.
O Jogo da Alíquota: Por que a Aviação Regional é a Chave?
A regra aprovada pelo Congresso Nacional prevê um tratamento diferenciado para o segmento de aviação regional, oferecendo um desconto de 40% sobre a alíquota dos novos tributos. A intenção do governo é estimular a conectividade em cidades fora das grandes regiões metropolitanas, combatendo o isolamento de diversas localidades do país.
O problema é que o setor aéreo opera com margens extremamente apertadas. Sem esse benefício, a projeção é alarmante:
- Carga tributária atual: Aproximadamente 7%.
- Projeção sem benefício: Salto para entre 22% e 23%.
- Impacto no bolso: Um aumento estimado de R$ 90,00 no preço médio de um bilhete que hoje custa R$ 600,00.
Caso as companhias consigam o status de regionais, esse aumento poderia ser mitigado para algo entre R$ 36,00 e R$ 40,00.
A Disputa entre Ministérios: O Dilema do Enquadramento
O Ministério de Portos e Aeroportos propôs que empresas com mais de 50% de sua oferta em rotas regionais (incluindo a Amazônia Legal) recebam o benefício. Isso abriria as portas para que gigantes como Gol, Latam e Azul fossem beneficiadas em toda a sua malha doméstica, inclusive nos trechos mais lucrativos, como a ponte aérea São Paulo-Rio.
No entanto, o Ministério da Fazenda resiste a essa ideia. O argumento é simples: concessões excessivas podem forçar um aumento na alíquota geral para compensar a perda de arrecadação, prejudicando outros contribuintes.
Conectividade em Risco: Menos Rotas, Mais Custos
A situação da aviação regional no Brasil já é delicada. Segundo dados da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC), centenas de ligações regionais foram encerradas entre 2021 e 2026. A tendência das empresas é focar nas rotas que trazem maior retorno financeiro, especialmente após os processos de recuperação judicial enfrentados pós-pandemia.
Para Ronei Glanzmann, CEO da MoveInfra, o risco é real: “A Reforma Tributária pode praticamente triplicar a carga tributária média incidente sobre as empresas aéreas, resultando em alta no preço das passagens e redução no número de passageiros.”
O que esperar para o futuro das viagens aéreas?
Além da disputa pelas alíquotas, outros pontos da reforma podem influenciar o custo de voar:
- Voos Internacionais: Há propostas para a aplicação de alíquota zero, visando manter a conectividade global do Brasil.
- Sustentabilidade: O governo estuda isentar aeronaves mais modernas e eficientes energeticamente do chamado “Imposto Seletivo”.
- Câmbio: A Abear (Associação Brasileira das Empresas Aéreas) lembra que 60% dos custos do setor estão atrelados ao dólar, o que soma ainda mais pressão aos preços.
Conclusão: Enquanto o governo e as empresas não chegam a um acordo, o passageiro deve ficar atento. A regulamentação da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) será o divisor de águas para sabermos se as passagens aéreas continuarão acessíveis ou se viajar se tornará um luxo ainda maior no Brasil.
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