Passagens Aéreas: Por que os preços podem subir com a chegada do combustível sustentável?

O Impacto do Combustível Sustentável no Preço das Passagens Aéreas
Se você já notou que o valor das passagens aéreas subiu nos últimos meses, saiba que isso não é apenas uma impressão. Fatores geopolíticos, como os conflitos no Oriente Médio, elevaram drasticamente o custo do querosene de aviação, impactando diretamente o bolso do consumidor. No entanto, um novo fator entrará na conta a partir de 2027: a transição para o combustível sustentável de aviação, conhecido como SAF (do inglês, Sustainable Aviation Fuel).
O que é o SAF e por que ele é necessário?
O SAF é um biocombustível produzido a partir de matérias-primas renováveis, como óleos vegetais, resíduos agrícolas, lixo orgânico e etanol. A urgência em sua implementação vem de metas ambientais rigorosas: a partir de 2027, as companhias aéreas deverão reduzir suas emissões de gases de efeito estufa em 1%, aumentando esse percentual anualmente até atingir 10% em 2037.
Essa mudança é fundamental para a descarbonização do setor, mas traz um desafio financeiro considerável. De acordo com a IATA (Associação Internacional de Transporte Aéreo), a transição energética é o caminho para a aviação líquida zero, mas a escala de produção ainda é o maior gargalo.
Como isso afeta o valor das passagens aéreas?
O grande problema reside no custo. Atualmente, o combustível representa cerca de 40% das despesas operacionais de uma companhia aérea. Estima-se que o SAF possa custar até cinco vezes mais que o querosene convencional. Sem incentivos tributários governamentais, as empresas alertam que esse custo será inevitavelmente repassado ao consumidor final.
Executivos da Latam e Gol destacam que a situação é complexa devido a uma “tempestade perfeita” de fatores:
- Custo do SAF: Preço significativamente superior ao combustível fóssil.
- Incertezas Tributárias: Falta de desoneração para o consumo do biocombustível.
- Mercado de Carbono: Novas regulamentações e a fase obrigatória do programa internacional Corsia em 2027.
A realidade do SAF no Brasil: Petrobras e Acelen
O Brasil possui um potencial gigantesco para liderar essa transição. A Petrobras já produz o SAF coprocessado, utilizando óleo de milho e soja para reduzir a intensidade de carbono. Já a Acelen planeja um investimento massivo de US$ 3 bilhões para produzir SAF a partir da macaúba, uma palmeira nativa brasileira, visando reduzir a dependência de óleos que competem com a produção de alimentos.
Para viabilizar a logística, o governo brasileiro introduziu o mecanismo de “book and claim”. Esse sistema permite que o benefício ambiental do combustível seja contabilizado mesmo que a aeronave não utilize fisicamente o SAF em cada trecho, facilitando a comercialização de certificados de redução de emissões.
O que esperar do futuro das viagens aéreas?
Embora o curto prazo aponte para uma pressão nos preços das passagens aéreas, a longo prazo, a dependência reduzida do petróleo pode proteger o setor de choques bruscos de preços causados por guerras ou crises internacionais.
A ANAC (Agência Nacional de Aviação Civil) segue em discussões com o Ministério da Fazenda para encontrar formas de mitigar esses custos, buscando um equilíbrio entre a sustentabilidade do planeta e a acessibilidade das viagens para a população.
Resumo do Cenário:
| Fator | Impacto nas Passagens |
|---|---|
| Combustível Fóssil (Guerra) | Alta imediata e volátil |
| Implementação do SAF (2027) | Risco de aumento estrutural no preço |
| Incentivos Governamentais | Potencial para estabilizar as tarifas |
Compartilhar:


