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Ação Policial em Escola por Desenho de Orixá: O Caso que Mobiliza o Combate ao Racismo Religioso

Ação Policial em Escola por Desenho de Orixá: O Caso que Mobiliza o Combate ao Racismo Religioso

temp_image_1784623547.620131 Ação Policial em Escola por Desenho de Orixá: O Caso que Mobiliza o Combate ao Racismo Religioso

Ação Policial em Escola por Desenho de Orixá: O Impacto do Racismo Religioso na Educação

Um episódio alarmante em uma escola da Zona Oeste de São Paulo trouxe à tona a urgência do debate sobre a tolerância religiosa no Brasil. O que deveria ser um momento de aprendizado e criatividade infantil transformou-se em um cenário de tensão quando uma ação policial ocorreu dentro de uma instituição de ensino infantil, motivada pela reclamação de um pai sobre o desenho de uma criança.

O Incidente: Quando a Polícia Entra na Sala de Aula

O caso aconteceu na EMEI Antônio Bento, no bairro Caxingui. Agentes da Polícia Militar entraram armados na escola para questionar a diretoria sobre a atividade de uma criança de apenas quatro anos, que havia desenhado a orixá Iansã. A inspiração para a arte veio da leitura do livro “Ciranda em Aruanda”, obra da escritora Liu Olivina.

Imagens de câmeras corporais revelaram uma abordagem hostil, onde a diretora da escola foi questionada sobre a “ideologia” transmitida aos alunos. Em resposta, a educadora reafirmou que o ensino da cultura afro-brasileira não é uma escolha ideológica, mas uma obrigatoriedade legal estabelecida pela Lei nº 10.639/2003, que torna obrigatório o ensino de história e cultura afro-brasileira e africana nas escolas.

Liu Olivina: Entre Ataques e a Força da Literatura

Com a repercussão do caso, a autora Liu Olivina tornou-se alvo de ataques misóginos e de racismo religioso nas redes sociais. Acusações infundadas e discursos de ódio tentaram silenciar a artista, que relata ter passado por momentos de profundo abalo emocional.

“Livros que falam sobre as religiões afro-indígenas são necessários dentro da sala não só pelo papel de incomodar, mas de trazer essa cultura que é importante para que as crianças, quando crescerem, não sejam essas pessoas que chamam a polícia por causa de um desenho de orixá”, declarou Liu Olivina.

Apesar do medo, a onda de apoio recebida após a divulgação dos vídeos da abordagem policial fortaleceu a autora. Liu agora canaliza essa experiência para a criação de sua nova obra, “Aruanda em terra”, que será a continuação do livro que originou a polêmica.

A Importância da Educação Antirracista

O livro “Ciranda em Aruanda” é mais do que uma obra literária; é uma ferramenta de cura e educação. Premiada e reconhecida pela Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ), a obra apresenta os orixás através de sua relação com a natureza, desmistificando preconceitos desde a primeira infância.

Pontos Chave da Obra e seu Impacto:

  • Representatividade: Apresenta 10 orixás, destacando a força e os valores positivos de cada divindade.
  • Alcance: Cerca de 14 mil exemplares foram distribuídos em creches da capital paulista.
  • Combate ao Preconceito: Utiliza a arte para prevenir que crianças cresçam replicando o racismo religioso.

Desdobramentos Jurídicos e Institucionais

A situação não ficou impune. A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) informou que o caso foi investigado por ambas as polícias. A Polícia Civil indiciou o responsável pela denúncia por crime de intolerância religiosa, e o Inquérito Policial Militar (IPM) foi encaminhado ao Tribunal de Justiça Militar.

Além disso, a Secretaria Municipal de Educação de São Paulo informou que a escola está recebendo apoio especializado de psicólogos e pedagogos através do NAAPA, garantindo que o plano de educação antirracista continue sendo implementado com segurança para alunos e professores.

Este caso serve como um lembrete crítico de que a educação é a arma mais poderosa contra a intolerância, e que a proteção da diversidade cultural nas escolas é fundamental para a construção de uma sociedade verdadeiramente democrática e respeitosa.

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