Adenir Carruesco e o Racismo Estrutural: O Desabafo de uma Desembargadora

Adenir Carruesco e o Racismo Estrutural: Quando a Toga Não é Suficiente para Apagar o Preconceito
Em um relato impactante que ecoa as dores de milhões de brasileiros, a desembargadora federal Adenir Alves da Silva Carruesco, do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) da 23ª região, trouxe à tona uma discussão urgente sobre o racismo estrutural. O episódio, ocorrido longe dos tribunais, revela como estereótipos arraigados ainda moldam a percepção social no Brasil.
O Episódio no Supermercado: A Lógica do ‘Lugar Natural’
Tudo aconteceu em um domingo comum em Cuiabá. Após sua caminhada matinal, a magistrada visitou um supermercado local. Enquanto caminhava entre as gôndolas, foi abordada de forma insistente por outra cliente, que, convicta de que Adenir era uma funcionária do estabelecimento, solicitou informações sobre produtos.
Para a cliente, aquela interação era natural. No entanto, para a desembargadora, o ocorrido foi a prova viva de uma engrenagem social perversa. Em suas redes sociais, Adenir refletiu que a abordagem não foi um erro individual, mas sim a reprodução de uma lógica internalizada pelo senso comum brasileiro.
“A lógica diz: preto não ocupa espaços de poder, preto não é juiz, preto não é desembargador. O lugar natural do preto é o serviço”, desabafou a magistrada.
A Invisibilidade do Poder Negro no Judiciário
A reflexão de Adenir Carruesco vai além do incidente isolado. Ela aponta para a escassa representatividade de pessoas negras, especialmente mulheres, nos escalões mais altos do Poder Judiciário brasileiro. Mesmo detendo um cargo de alta autoridade, a desembargadora sentiu na pele que, sem a toga, ela é vista apenas como um “corpo preto” destinado ao serviço.
Esse fenômeno é o que a sociologia define como racismo estrutural: um conjunto de práticas, hábitos e situações embutidos nos costumes e nas instituições que privilegiam um grupo em detrimento de outro, independentemente da vontade individual.
A Necessidade de Desconstrução Diária
A desembargadora enfatizou que a solução não passa por culpar a pessoa individualmente, mas por combater a estrutura que alimenta esse pensamento. Para ela, a luta contra o preconceito é um exercício cotidiano de desmonte de ideias obsoletas.
Os principais pontos de reflexão deixados por Adenir Carruesco incluem:
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- A banalização do preconceito: Como a sociedade assume papéis sociais baseados na cor da pele sem sequer questionar.
- A lacuna de representatividade: A urgência de vermos mais negros e negras em tribunais superiores e cargos de decisão.
- A educação como ferramenta: A importância de desconstruir a lógica do racismo “um domingo de cada vez”.
Conclusão: Um Espelho da Realidade Brasileira
O caso de Adenir Carruesco serve como um alerta sobre a contradição brasileira: possuímos legislações antirracistas rigorosas, mas a realidade cotidiana ainda é marcada por desigualdades profundas. Enquanto a cor da pele for usada como critério para definir a função social de alguém, a verdadeira democracia e justiça permanecerão como metas distantes.
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