Atenção Consumidor: Fraudes em Azeites Extravirgens Alertam para Riscos à Saúde no Brasil

O Perigo Escondido na Garrafa: A Verdade Sobre o Azeite no Brasil
Você costuma escolher o azeite extravirgem pensando nos benefícios para a saúde e no sabor superior? Se sim, é hora de redobrar a atenção. Uma investigação recente, fruto de uma ação civil pública movida pelo Ministério Público Federal (MPF), revelou que a realidade nas prateleiras dos supermercados brasileiros pode ser bem diferente do que diz o rótulo.
Análises realizadas pelo laboratório do Ministério da Agricultura constataram que diversos produtos vendidos como “extravirgens” são, na verdade, azeites virgens ou, em casos mais graves, azeites lampantes — substâncias consideradas impróprias para o consumo humano.
Quais marcas foram citadas na investigação?
O relatório preliminar do Laboratório Federal de Defesa Agropecuária (LFDA) apontou inconsistências em marcas amplamente conhecidas. Entre as empresas cujos produtos foram reclassificados como azeite virgem (de qualidade inferior ao extravirgem), estão:
- Andorinha
- Gallo
- Borges
- Gomes da Costa
- Filippo Berio
- Carrefour
A situação é ainda mais crítica para as marcas Costa D’Oro e Terras de Camões, cujos rótulos foram classificados como lampantes. Diferente dos azeites comestíveis, o azeite lampante é um óleo não refinado que não atende aos padrões de qualidade para ingestão, representando um risco concreto à saúde pública.
Entenda a diferença: Extravirgem, Virgem e Lampante
Para não ser enganado, é fundamental entender a classificação técnica do azeite. A diferença reside principalmente na acidez e nas características sensoriais (sabor e aroma):
- Azeite Extravirgem: O padrão ouro. Possui acidez livre máxima de 0,8% e não apresenta defeitos de sabor ou aroma.
- Azeite Virgem: Possui acidez livre de até 2% e pode conter pequenas imperfeições sensoriais.
- Azeite Lampante: Óleos com alta acidez e defeitos graves, inadequados para o consumo sem processamento industrial prévio.
O Impacto na Saúde e o Mercado Brasileiro
A procuradora da República, Karen Louise Jeanette Kahn, alerta que a venda de azeites lampantes como se fossem produtos nobres não é apenas uma fraude comercial, mas um problema de saúde pública. A investigação busca intensificar o controle sobre a importação de azeites, tanto a granel quanto envasados, para evitar que óleos descartados na Europa cheguem às mesas brasileiras.
O Instituto Brasileiro de Olivicultura (Ibraoliva) reforça que essa situação prejudica a produção nacional. Segundo a entidade, a entrada de azeites velhos e com defeito, mascarados como extravirgens, desvaloriza o mercado e engana o consumidor final.
O que dizem as empresas?
As marcas citadas apresentaram diferentes defesas. Algumas, como a Costa d’Oro, alegam que a oxidação do produto pode ter ocorrido durante o transporte e armazenamento sob altas temperaturas no verão. Outras, como Filippo Berio e Carrefour, afirmam possuir controles rigorosos de qualidade e que eventuais inconformidades referem-se a lotes específicos, sem representar risco geral.
Dicas para escolher um azeite de qualidade
Para garantir que você está levando um produto autêntico para casa, considere as seguintes dicas:
- Verifique a embalagem: Prefira garrafas de vidro escuro, que protegem o líquido da luz (que acelera a oxidação).
- Cheque a data de validade: Azeites são produtos perecíveis e perdem a qualidade rapidamente após a colheita.
- Analise o rótulo: Procure por selos de certificação e a indicação clara da acidez.
Para saber mais sobre a regulamentação de alimentos e a segurança alimentar no Brasil, você pode consultar o portal da Anvisa, a agência responsável pela vigilância sanitária no país.
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