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Banco Digimais de Edir Macedo: Entenda a polêmica das manobras financeiras e a crise nos bastidores

Banco Digimais de Edir Macedo: Entenda a polêmica das manobras financeiras e a crise nos bastidores

temp_image_1779100770.315838 Banco Digimais de Edir Macedo: Entenda a polêmica das manobras financeiras e a crise nos bastidores

Banco Digimais de Edir Macedo: Manobras Financeiras e Crise nos Bastidores

O cenário financeiro brasileiro foi surpreendido por revelações impactantes sobre o Banco Digimais, instituição controlada pelo bispo Edir Macedo. O banco, que já enfrenta uma crise prolongada e está à venda há mais de um ano, teria utilizado manobras sofisticadas com fundos de investimento para “limpar” seu balanço e ocultar perdas multimilionárias.

Documentos analisados por especialistas indicam que a instituição retirou de suas demonstrações financeiras carteiras de financiamento com inadimplências que somam centenas de milhões de reais, tentando projetar uma saúde financeira que não condiz com a realidade.

A Estratégia do “Zé com Zé”: Como funcionava a manobra

Uma das práticas mais controversas apontadas é a operação conhecida no mercado como “Zé com Zé”. Basicamente, o Banco Digimais teria criado fundos de investimento e, simultaneamente, atuado como cotista desses mesmos fundos.

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  • O mecanismo: O banco transferia créditos podres (com alto índice de calote) para esses fundos.
  • O efeito visual: Para o mercado, parecia que o banco havia vendido a carteira para terceiros, eliminando o prejuízo do balanço oficial.
  • A realidade: Como o banco era o dono do fundo, o risco financeiro permanecia internamente, mas ficava invisível para auditores e reguladores.

Estima-se que essa manobra tenha ocultado pelo menos R$ 480 milhões em créditos vencidos, permitindo que o banco declarasse lucros irreais de R$ 31 milhões ao final de 2025.

Risco Elevado e Juros Abusivos no Financiamento de Veículos

O carro-chefe do Digimais sempre foi o financiamento de veículos. No entanto, a estratégia da instituição divergia dos “bancões” tradicionais. O banco aceitava financiar veículos antigos e clientes com alto risco de inadimplência, compensando isso com taxas de juros extremamente elevadas.

Segundo dados do Banco Central do Brasil, em dezembro de 2025, o Digimais figurou entre as quatro maiores taxas de juros do mercado, chegando a 2,97% ao mês (41,07% ao ano).

Um exemplo crítico é o fundo Tabor, onde a inadimplência atingiu níveis alarmantes: cerca de 60% dos créditos estavam vencidos, com valores expressivos sem pagamento há mais de dois anos.

Investigações da PF e Gestão Controversa

A situação do Banco Digimais não atrai apenas a atenção de analistas, mas também das autoridades. A Polícia Federal (PF) estaria investigando a instituição por supostas fraudes financeiras.

Outro ponto de atenção é a governança do banco. Recentemente, a presidência foi assumida por Aldemir Bendine, ex-presidente da Petrobras e do Banco do Brasil, figura central em diversos processos judiciais no passado.

O Futuro: A Venda para o BTG Pactual

Diante do colapso interno, o Banco Digimais está em processo de negociação com o BTG Pactual. O interesse do BTG estaria focado principalmente na carteira de clientes da instituição. No entanto, a transação é complexa e depende de:

  1. Cumprimento de condições precedentes e processo competitivo (leilão).
  2. Suporte financeiro, possivelmente envolvendo o Fundo Garantidor de Créditos (FGC).

Até o momento, nem o Banco Digimais nem a Igreja Universal se manifestaram oficialmente sobre as denúncias de maquiagem contábil e as investigações em curso.

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