Curitiba e Bahia: A Conexão Histórica que Vai Além do Futebol

Muito Além do Campo: A Ligação Surpreendente entre Curitiba e a Bahia
Quando pensamos no confronto entre Coritiba e Bahia pelo Campeonato Brasileiro, a primeira imagem que vem à mente é a disputa tática dentro das quatro linhas. No entanto, quem caminha pelas ruas de Curitiba pode descobrir que a relação entre a capital paranaense e a terra do axé é profunda, antiga e fundamental para a formação do estado do Paraná.
Entre a Arena da Baixada e o Couto Pereira, existe um elo histórico que muitos ignoram, mas que define a identidade da cidade: a figura de Zacarias de Góis e Vasconcelos.
Zacarias de Góis e Vasconcelos: O Baiano que Estruturou o Paraná
Poucos sabem, mas a Praça Zacarias, localizada no coração do Centro Histórico de Curitiba, é a mais antiga da cidade. Ela homenageia um homem natural de Valença, no baixo-sul da Bahia, que teve um papel decisivo na organização da Província do Paraná.
Nomeado por Dom Pedro II como o primeiro presidente da Província, Zacarias chegou a Curitiba no final de 1853. Naquela época, o território era quase anárquico, sem serviços públicos ou estrutura governamental consolidada. Foi ele quem:
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- Organizou o Judiciário: Estabeleceu as bases jurídicas da província.
- Fomentou a Educação: Incentivou a criação de escolas públicas.
- Criou a Imprensa Local: Fundou o Dezenove de Dezembro em 1854, o primeiro jornal do Paraná.
- Estruturou a Administração: Transformou uma vila grande em um Estado funcional.
Como destaca o historiador Rogério Bealpino, a presença de uma praça central com o nome de um baiano é um reconhecimento explícito de que Curitiba deve muito a Zacarias.
O Pelourinho: Uma Memória Compartilhada e Silenciada
A conexão entre as duas regiões não passa apenas pela administração pública, mas também por cicatrizes do período colonial. Assim como Salvador é famosa por seu Pelourinho, Curitiba também teve o seu.
Instalado próximo à atual Praça Tiradentes, o pelourinho curitibano era o símbolo da autoridade portuguesa e o local de punições públicas, especialmente para pessoas escravizadas. Embora hoje seja uma “memória enterrada” e pouco conhecida pelos moradores, esse monumento reflete o mesmo sistema colonial que moldou a Bahia e o Paraná.
Do Passado ao Couto Pereira: Emoções do Brasileirão
Essa rica tapeçaria histórica serve de pano de fundo para o jogo entre Coritiba e Bahia. Para o torcedor tricolor, o estádio Couto Pereira evoca sentimentos contrastantes:
- O Trauma de 2014: Uma derrota dolorosa de virada por 3 a 2 que selou a queda para a segunda divisão.
- A Esperança de 2023: O local da estreia de Rogério Ceni no comando do Bahia, com uma vitória expressiva de 4 a 2.
Agora, em mais um capítulo do Campeonato Brasileiro, o caminho entre a Praça Zacarias e o estádio nos lembra que, independentemente do resultado no placar, a união entre Curitiba e Bahia começou muito antes da bola rolar.
Seja pela história, pela cultura ou pelo esporte, o encontro dessas duas terras é a prova de que o Brasil é construído através de trocas e influências que atravessam fronteiras estaduais.
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