Escândalo do ‘Projeto DV’: Como Daniel Vorcaro Usou Influenciadores para Atacar o Banco Central

A Trama por Trás do ‘Projeto DV’: Milhões para Manipular a Opinião Pública
Uma investigação da Polícia Federal (PF) trouxe à tona um esquema sofisticado de desinformação e pressão institucional coordenado pelo banqueiro Daniel Vorcaro. O objetivo? Atacar a imagem do Banco Central (BC) e blindar a gestão do Banco Master através de pagamentos milionários a influenciadores digitais.
O esquema, batizado internamente como “Projeto DV” (referência às iniciais do banqueiro), envolvia cifras impressionantes: alguns influenciadores chegavam a receber até R$ 2 milhões para veicular conteúdos orquestrados nas redes sociais.
Como Funcionava a Engrenagem de Desinformação
A operação não era simples. Para garantir que a origem do dinheiro e a estratégia permanecessem em segredo, o grupo utilizava táticas rigorosas de controle:
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- Contratos de Sigilo: Antes mesmo de conhecerem o briefing do conteúdo, os contratados precisavam assinar um termo de confidencialidade com uma multa drástica de R$ 800 mil em caso de vazamento.
- Narrativa Direcionada: Após a assinatura, os influenciadores eram instruídos a publicar vídeos e textos afirmando que o Banco Master teria sido “vítima” de ações do Banco Central.
- Articulação Profissional: O publicitário Thiago Miranda Silva é apontado pela PF como o principal articulador, sendo o responsável por recrutar os perfis e efetuar os pagamentos.
Além do Marketing: Vigilância e Intimidação
O que torna o caso ainda mais grave é a revelação de que o grupo não atuava apenas na promoção de narrativas, mas também na intimidação de quem incomodava. A Polícia Federal afirma que Vorcaro e Miranda monitoravam jornalistas e empresários.
Entre os alvos estavam a jornalista Malu Gaspar, de O Globo, e Milton Maluhy Filho, presidente do Itaú. O grupo criava dossiês detalhados, monitorando desde gastos em cartões de crédito até bens patrimoniais, com o intuito de constranger e silenciar vozes críticas.
A Origem do Dinheiro e a Operação Compliance Zero
Segundo as investigações, os recursos utilizados para financiar o Projeto DV provinham de fraudes financeiras ligadas ao Banco Master. Esses valores estariam conectados à Polícia Federal através da Operação Compliance Zero, deflagrada originalmente em 2025, que já havia resultado na prisão de Daniel Vorcaro.
A Decisão do STF e a Defesa dos Acusados
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou medidas de busca e apreensão contra Thiago Miranda, destacando que as evidências apontam para a existência de um grupo com “contornos de máfia”.
Em contrapartida, a defesa de Thiago Miranda refuta veementemente as acusações. Em nota, os advogados afirmam que a atuação do publicitário sempre foi pautada pela legalidade, transparência e pelo livre exercício da liberdade de expressão, negando qualquer tentativa de coagir ou intimidar terceiros.
O caso segue sob investigação, expondo a vulnerabilidade das redes sociais diante de esquemas de astroturfing (criação de falsos movimentos espontâneos) financiados por grandes grupos econômicos.
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