Escândalo na Cedae: Auditoria revela prejuízo milionário em investimentos no Banco Master

Escândalo na Cedae: Auditoria revela prejuízo milionário e manobras em investimentos no Banco Master
Uma bomba acaba de estourar na administração pública do Rio de Janeiro. Uma auditoria interna da Cedae revelou que a companhia de águas e esgotos investiu R$ 237 milhões no Banco Master, mesmo com a instituição financeira não atendendo aos critérios de risco exigidos pelas normas da estatal. O resultado? Um prejuízo estimado em mais de R$ 220 milhões para os cofres públicos.
O caso ganha contornos ainda mais graves ao apontar que a diretoria financeira da época teria alterado deliberadamente as regras de investimento para “encaixar” o Banco Master no perfil aceitável, ignorando alertas internos de risco.
A Manobra: Mudança de Regras para Viabilizar Investimentos
De acordo com o relatório da auditoria, o Banco Master era considerado inelegível pelas normas vigentes da Cedae em março de 2023. A política de aplicações exigia uma classificação de risco mínima de “A-” e a avaliação de ao menos duas agências independentes. No entanto, o Banco Master possuía apenas a nota “BBB-” da agência Fitch.
Em vez de descartar a operação, a diretoria financeira, sob o comando de Antonio Carlos dos Santos, promoveu uma atualização na política de investimentos em setembro de 2023. As mudanças incluíram:
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- Redução das exigências de agências de rating;
- Criação de nova faixa de risco, permitindo instituições com classificação entre BBB+ e BBB-;
- Adaptação cirúrgica para que o perfil do Banco Master se tornasse aceitável.
A Conexão Nova York e a Suspeita de Influência Política
Um dos pontos mais polêmicos da investigação é a cronologia dos fatos. A auditoria identificou que as negociações entre a Cedae e o Banco Master começaram em 17 de maio de 2023. Curiosamente, esse encontro ocorreu apenas seis dias após um jantar luxuoso em Nova York entre o governador Cláudio Castro e Daniel Vorcaro, controlador do banco.
Embora o governador negue qualquer interferência, a coincidência de datas e a rapidez com que as regras internas da estatal foram alteradas levantam questionamentos sobre a natureza dessas operações. O caso já é alvo de apurações no Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) e no Supremo Tribunal Federal (STF).
O Colapso do Banco Master e a Perda do Dinheiro Público
A situação financeira da estatal deteriorou-se rapidamente. A partir de 2025, diversas áreas da Cedae emitiram alertas sobre a saúde financeira do Banco Master, mas a diretoria financeira demorou a reagir. Quando a tentativa de resgate total dos valores foi feita, em setembro de 2025, o banco já enfrentava graves problemas de liquidez.
O desfecho foi catastrófico: em novembro de 2025, após o não pagamento de parcelas de devolução, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master, materializando a perda milionária para a Cedae.
Medidas Adotadas e Próximos Passos
A nova gestão da Cedae, liderada por Rafael Rolim, já tomou medidas drásticas para tentar sanar a crise:
- Exoneração dos responsáveis pelos aportes irregulares;
- Remoção de indicações políticas da diretoria financeira;
- Envio do relatório para o Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ) e ao Ministério Público para a apuração de dolo, fraude e negligência.
Enquanto isso, o ex-diretor Antonio Carlos dos Santos e o governador Cláudio Castro negam qualquer irregularidade, afirmando que todos os trâmites internos foram seguidos e que as decisões foram tomadas para a diversificação da carteira de investimentos.
Este caso reforça a necessidade de maior transparência e governança nas estatais para evitar que interesses políticos prevaleçam sobre a segurança do patrimônio público.
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