Esquema de Fraudes no INSS: Como ‘Dublês Biométricos’ Desviaram R$ 86 Milhões

O Lado Sombrio da Previdência: A Mega Operação Contra Fraudes no INSS
Um esquema sofisticado e criminoso que operou durante duas décadas acaba de ser desmantelado. A Operação Leste do Espinhaço revelou um método surpreendente de esquema de fraudes no INSS: a criação de “dublês biométricos” para roubar benefícios destinados aos mais vulneráveis.
A denúncia, aceita pelo juiz Leonardo Araujo de Miranda Fernandes da 1ª Vara Federal Criminal de Governador Valadares, expõe a atuação de 35 suspeitos que transformaram a burocracia previdenciária em uma máquina de fazer dinheiro ilícito. O prejuízo estimado aos cofres públicos chega a impressionantes R$ 86 milhões.
Como Funcionava a Engenharia da Fraude?
Diferente de fraudes simples, este grupo utilizou uma estratégia complexa para driblar a segurança biométrica do governo. O modus operandi consistia em etapas meticulosas:
- Criação de Identidades Fictícias: O grupo recorria a cartórios para obter certidões tardias de pessoas que sequer existiam.
- Os Dublês Biométricos: Para enganar o sistema do INSS, idosos eram recrutados para “emprestar” seus rostos e impressões digitais. Assim, uma única pessoa real validava a identidade de múltiplos beneficiários inexistentes.
- Acesso ao BPC: Com a documentação falsa e a biometria “emprestada”, solicitavam o Benefício de Prestação Continuada (BPC), destinado a idosos e pessoas com deficiência em situação de vulnerabilidade.
- Manutenção do Golpe: Utilizavam procurações assinadas “a rogo” (por terceiros) para sacar os valores em caixas eletrônicos e agências bancárias em diversas cidades de Minas Gerais e no Espírito Santo.
O Impacto Financeiro e a Resposta da Justiça
A escala do crime é alarmante. Foram identificadas 457 aposentadorias fraudadas. O mais grave é que, no momento da deflagração da operação, 240 desses benefícios ainda estavam sendo sacados regularmente pelos criminosos.
Graças à ação conjunta da Polícia Federal e da Força-Tarefa Previdenciária, o governo já conseguiu economizar mais de R$ 35 milhões apenas com a interrupção imediata dos pagamentos fraudulentos.
Consequências Legais e Próximos Passos
Os envolvidos agora respondem por crimes graves, incluindo estelionato qualificado e associação criminosa. A Justiça Federal determinou a manutenção da prisão preventiva de 19 réus, sob a justificativa de que há riscos reais de reiteração do crime, visto que saques fraudulentos foram registrados até julho deste ano.
Além disso, um novo inquérito foi solicitado pelo Ministério Público Federal (MPF) para aprofundar as investigações sobre a lavagem de dinheiro e identificar outros possíveis cúmplices que ainda não foram denunciados.
Compartilhar:


