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Hofstetter Turbo: O ‘Lamborghini Brasileiro’ que Conquistou a Argentina na AutoClásica

Hofstetter Turbo: O ‘Lamborghini Brasileiro’ que Conquistou a Argentina na AutoClásica

temp_image_1791762805.800837 Hofstetter Turbo: O 'Lamborghini Brasileiro' que Conquistou a Argentina na AutoClásica

Um Marco para a Indústria Automotiva Brasileira

O cenário dos carros clássicos internacionais acaba de registrar um momento histórico para o Brasil. Direto de São Roque (SP) para as ruas de San Isidro, na Argentina, o Hofstetter Turbo não apenas marcou presença, mas saiu vitorioso da AutoClásica, um dos eventos de automóveis antigos mais prestigiados do continente.

Pertencente ao renomado acervo do museu Dream Car, o exemplar fabricado em 1986 tornou-se o primeiro automóvel de projeto nacional a ser premiado em um concurso internacional desta magnitude. O reconhecimento veio através de um prêmio especial, celebrando a ousadia e a engenharia brasileira no palco argentino.

O Nascimento de um Ícone: O ‘Lamborghini Brasileiro’

A história do Hofstetter Turbo é a prova de que a paixão e a criatividade podem romper barreiras. O projeto nasceu do sonho de Mário Richard Hofstetter que, aos 16 anos, em 1973, decidiu desenhar seu próprio veículo. Inspirado por linhas futuristas como as do Alfa Romeo Carabo (obra de Marcello Gandini), e referências do Maserati Boomerang e BMW E25 Turbo, Mário criou uma silhueta em forma de cunha com as icônicas portas asa de gaivota.

A construção foi verdadeiramente artesanal: o primeiro molde da carroceria em fibra de vidro foi feito na garagem de sua casa, utilizando compensados de madeira financiados pela venda de um kart.

Engenharia e Performance: O Coração da Máquina

Para transformar o desenho em realidade, Hofstetter utilizou a criatividade para combinar componentes de diferentes modelos, criando um híbrido de performance:

  • Chassi: Estrutura tubular própria do tipo espinha dorsal.
  • Mecânica Base: Motor, câmbio e suspensão traseira provenientes do Volkswagen Passat.
  • Direção e Freios: Componentes adaptados do Chevrolet Chevette.
  • Motorização: Equipado com o lendário motor Volkswagen AP 1.8 movido a álcool e turbocompressor.

O modelo premiado na Argentina possui uma raridade: é o único exemplar automático entre os 18 produzidos. Em sua versão manual, o carro entregava 140 cv e 21 kgfm, atingindo 0 a 100 km/h em 9,3 segundos e uma velocidade máxima de 196 km/h. Versões posteriores evoluíram para 210 cv, superando a marca dos 200 km/h.

Além do Turbo: A Elegância do Concorde

O museu Dream Car não enviou apenas o Hofstetter. A exposição também contou com o Concorde, um gigante de 5,20 metros de comprimento. Com design inspirado nos clássicos da década de 1930 e impulsionado por um potente motor V8 4.9 (dos Ford Galaxie/Landau), o Concorde é fruto de um lote restrito de apenas 25 exemplares produzidos artesanalmente entre 1976 e 1985.

O Fim de uma Era e o Legado

Apesar da ousadia técnica — que incluía inovações como painel digital da PPA e volante oval —, a Hofstetter não resistiu à abertura do mercado brasileiro nos anos 90. Com a chegada dos superesportivos importados, o público de luxo migrou para marcas globais, levando ao encerramento da produção em 1992.

Hoje, essas joias da engenharia brasileira retornam ao acervo do Dream Car, onde continuam a inspirar entusiastas e colecionadores de todo o mundo.

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