Justiça condena Edir Macedo e TV Record a pagar R$ 1,5 milhão por falas homofóbicas

Edir Macedo e TV Record são condenados a pagar R$ 1,5 milhão por homofobia
Em uma decisão recente que reacende o debate sobre a linha tênue entre a liberdade de expressão e a intolerância, o Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4) condenou o bispo Edir Macedo e a TV Record ao pagamento de R$ 1,5 milhão por danos morais coletivos.
A penalidade é decorrente de declarações classificadas como homofóbicas, proferidas pelo líder religioso durante a transmissão de um especial de Natal em 2022. A decisão, tomada nesta terça-feira (15), mantém e amplia o entendimento de primeira instância, reforçando que a fala do bispo estimulou a intolerância contra a população LGBTQIA+.
O que motivou a condenação?
O cerne da questão reside em um trecho do programa de véspera de Natal de 2022. Na ocasião, Edir Macedo afirmou:
“Você não nasceu mau. Ninguém nasce mau. Ninguém nasce ladrão, ninguém nasce bandido, ninguém nasce homossexual, lésbica… ninguém nasce mau.”
Para a Justiça, ao associar a homossexualidade e a lesbianidade a conceitos de “maldade” ou “criminalidade”, a fala ultrapassou o limite da manifestação religiosa e configurou um ataque à dignidade de um grupo historicamente vulnerabilizado.
Detalhamento dos valores e destino da multa
A condenação financeira foi elevada após a análise dos recursos. Veja como ficou a divisão dos valores:
- Edir Macedo: a indenização subiu de R$ 500 mil para R$ 1 milhão.
- TV Record: a multa passou de R$ 300 mil para R$ 500 mil.
Todo o montante será destinado ao Fundo de Defesa dos Direitos Difusos, visando a reparação social do dano causado.
Os argumentos da defesa e da acusação
A visão dos demandantes
A ação foi movida por entidades como o Grupo Nuances, a Aliança Nacional LGBTI+, a ABRAFH e o Ministério Público Federal (MPF). Alice Hertzog Resadori, representante do Nuances, destacou que a fala teve um impacto devastador devido ao alcance nacional da TV Record e à influência social de Edir Macedo, podendo normalizar a violência contra a comunidade LGBTQIA+.
A defesa de Edir Macedo e da Record
Os advogados do bispo argumentam que a fala foi retirada de contexto e fazia parte de um sermão religioso focado no acolhimento. A assessoria da Igreja Universal reiterou que a instituição é contra qualquer discriminação e que a mensagem era fundamentada nas Escrituras Sagradas.
Já a TV Record alegou que, por se tratar de uma transmissão ao vivo, não teria como editar ou prever o conteúdo da fala, pedindo a exclusão de sua responsabilidade ou a redução da multa.
Próximos passos jurídicos
Apesar da decisão do TRF4, o caso ainda não transitou em julgado. A defesa de Edir Macedo já anunciou que irá recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF) e ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) para tentar reverter a sentença.
Este caso serve como um marco importante na jurisprudência brasileira sobre a responsabilidade de líderes religiosos e veículos de comunicação no combate ao discurso de ódio e na promoção do respeito aos direitos humanos.
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