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O Fim de uma Era: Coreia do Sul Proíbe Carne de Cachorro, mas Qual o Destino dos Animais?

O Fim de uma Era: Coreia do Sul Proíbe Carne de Cachorro, mas Qual o Destino dos Animais?

temp_image_1782768838.765832 O Fim de uma Era: Coreia do Sul Proíbe Carne de Cachorro, mas Qual o Destino dos Animais?

A Mudança Histórica na Coreia do Sul: O Fim do Consumo de Carne de Cachorro

A Coreia do Sul está atravessando uma transformação cultural e legislativa profunda. Recentemente, o país deu um passo decisivo na proteção animal ao aprovar uma lei que proíbe a criação, o abate e a venda de cachorro para consumo humano. A medida, que entrará em vigor plenamente em fevereiro de 2027, marca o declínio de uma tradição que, embora já estivesse em queda, ainda persistia em bolsões rurais e entre as gerações mais velhas.

Para quem desrespeitar a nova norma, as consequências serão severas: os infratores poderão enfrentar penas de até três anos de prisão. Essa mudança reflete a nova mentalidade dos coreanos, especialmente dos jovens, que passaram a enxergar o cachorro não como alimento, mas como um membro da família e animal de estimação.

O Lado Sombrio da Transição: Para onde foram os cães?

Embora a notícia seja celebrada por defensores dos direitos animais em todo o mundo, surge uma questão alarmante: o que aconteceu com as centenas de milhares de cães que já estavam nos criadouros?

Os números são preocupantes. Em 2024, estimava-se que entre 400 mil e 450 mil cães eram criados para o abate. Atualmente, o Ministério da Agricultura estima que restem apenas 20 mil. No entanto, a conta não fecha. O governo ofereceu compensações financeiras aos criadores para facilitar a transição, mas não houve um rastreamento rigoroso do destino dos animais.

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  • Baixos índices de adoção: Apenas algumas centenas de cães foram enviados para abrigos ou adotados.
  • Dificuldades de resgate: Cães criados para abate costumam ser de porte grande, enquanto a preferência local para pets em apartamentos são raças pequenas.
  • Suspeitas de abate clandestino: Ativistas de organizações como a World Animal Protection e a organização local CARE alertam que a maioria dos animais provavelmente foi abatida antes da fiscalização.

Crueldade e a Brecha Legal

Um dos pontos mais críticos discutidos por advogados e ativistas é a contradição legal que existia até então. Por décadas, os cães não eram classificados como “animais de criação” (como porcos ou bois), o que significava que a indústria operava em um vácuo regulatório, sem normas de abate humanitário.

Relatos de ativistas da KARA descrevem cenas aterrorizantes em matadouros, onde métodos cruéis como a eletrocussão e o enforcamento eram comuns. A nova lei não apenas proíbe o consumo, mas fecha essa brecha, permitindo que a crueldade contra o cachorro seja punida com rigor.

O Conflito dos Criadores

Nem todos veem a mudança com otimismo. Alguns criadores sentem-se traídos pelo governo, alegando que a lei foi imposta por pressões políticas sem oferecer um plano de transição econômica viável. A mudança de ramo para a criação de outros animais é dificultada por processos burocráticos e licenciamentos lentos.

Apesar dos conflitos, a tendência é irreversível. A Coreia do Sul caminha para se alinhar aos padrões globais de bem-estar animal, transformando a relação entre a sociedade e o cachorro, consolidando-os definitivamente como companheiros e não como mercadoria.

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