Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) aciona plano inédito contra excesso de energia

Excesso de Energia: ONS Aciona Plano Emergencial para Garantir a Estabilidade da Rede Elétrica
Parece contraditório, mas ter energia demais pode ser tão perigoso para o sistema elétrico quanto a falta dela. Recentemente, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) tomou uma medida inédita: o acionamento de um plano para cortar a produção de pequenas usinas devido ao excedente de energia na rede nacional.
Essa decisão não ocorreu por acaso. Uma combinação de fatores climáticos e comportamentais criou o cenário perfeito para essa instabilidade, forçando o ONS a intervir para evitar riscos maiores ao abastecimento do país.
Por que cortar a energia se há sobra?
O problema central reside no equilíbrio entre a oferta e a demanda. Quando a produção de energia supera drasticamente o consumo, a frequência e a tensão do sistema podem oscilar, comprometendo a segurança de toda a rede. Os principais motivos para esse excedente foram:
- Boom da Energia Solar: O crescimento massivo de painéis solares em telhados de residências e empresas (micro e minigeração distribuída) injeta uma quantidade enorme de energia na rede durante o dia.
- Baixa Demanda: A coincidência de temperaturas amenas, um domingo e um feriado prolongado reduziu drasticamente o consumo da indústria e do comércio.
- Falta de Controle: Diferente das grandes usinas, a energia gerada em telhados não é controlada diretamente pelo ONS, tornando a gestão do sistema mais complexa.
O Plano de Gestão de Excedentes e quem foi afetado
Inicialmente, o ONS tentou reduzir a carga na geração centralizada (grandes hidrelétricas). No entanto, como a medida não foi suficiente, foi colocado em prática o Plano Emergencial de Gestão de Excedentes de Energia na Rede de Distribuição, aprovado pela ANEEL.
Com isso, as distribuidoras foram acionadas para reduzir a geração em suas áreas de concessão. Os cortes afetaram principalmente:
- Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs);
- Usinas de biomassa;
- Parques eólicos e solares de menor porte.
As 12 Distribuidoras Envolvidas na Operação
A operação priorizou as empresas que concentram cerca de 80% da potência instalada de usinas pequenas. São elas:
- CPFL Paulista, Cemig (Cemig D), Energisa MT, Copel (Copel D), Neoenergia Elektro, Celesc, Equatorial GO, Energisa MS, Neoenergia Coelba, RGE, EDP Espírito Santo e Neoenergia Pernambuco.
O Alerta da Abradee e o Futuro do Setor
A Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee) confirmou que as empresas estão preparadas, mas fez um alerta importante. Para a entidade, a falta de critérios mais claros e robustos para esses cortes pode gerar insegurança jurídica para os geradores.
Além disso, a Abradee enfatiza que o excesso de geração renovável não é um problema pontual, mas uma realidade crescente. A associação defende a urgência de novas políticas públicas que reorganizem o sistema elétrico brasileiro para solucionar esses gargalos e evitar possíveis apagões causados por instabilidades de frequência.
A transição energética é fundamental, mas a modernização da rede deve acompanhar o ritmo da instalação de novas fontes de energia para garantir que o Brasil continue iluminado com segurança.
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