Paraíba na Vanguarda: Formação de Agentes Populares Ambientais Transforma Periferias

Sustentabilidade e Resistência: A Nova Onda de Agentes Ambientais na Paraíba
A Paraíba acaba de dar um passo decisivo na luta por justiça socioambiental. Entre os dias 22 e 24 de maio, o Centro de Formação João Pedro e Elizabeth Teixeira, em Lagoa Seca, foi o palco da primeira etapa de formação dos Agentes Populares Ambientais das Periferias. O encontro reuniu 40 lideranças de territórios urbanos, marcando o início de um movimento que visa transformar a realidade das comunidades mais vulneráveis do estado.
Coordenada pela organização Mãos Solidárias Paraíba, a iniciativa não se limita a ensinar conceitos teóricos. Trata-se de uma abordagem integrada que une meio ambiente, saúde, alimentação e comunicação popular, criando uma rede de apoio e conscientização essencial para a sobrevivência e dignidade nas periferias.
Metodologia Paulo Freire: O Saber que Vem da Prática
O diferencial desta formação reside na sua base pedagógica. Inspirada na Educação Popular de Paulo Freire, a metodologia prioriza o diálogo, a escuta ativa e a troca de experiências. Aqui, a vivência concreta de quem mora na periferia é o ponto de partida para a construção do conhecimento.
Através de rodas de conversa e práticas de comunicação, os participantes transformam seus desafios cotidianos em ferramentas de luta. O objetivo é ambicioso e necessário: alcançar 90 agentes em mais de 30 territórios, consolidando a criação de 45 Comitês Populares Ambientais.
Os Desafios Urbanos e o Racismo Ambiental na Paraíba
A urgência dessa formação torna-se evidente ao analisarmos o crescimento desordenado das cidades paraibanas. Mirna Lomanto, coordenadora da formação, alerta que o avanço de um turismo invasivo e a expansão urbana sem planejamento têm impactado severamente as comunidades, especialmente em João Pessoa e regiões vizinhas.
Os debates do encontro trouxeram à tona temas críticos que não podem mais ser ignorados:
- Saneamento Básico: A precariedade no acesso a esgotamento sanitário.
- Racismo Ambiental: Como as populações marginalizadas são as que mais sofrem com a poluição e desastres.
- Mudanças Climáticas: O impacto de enchentes e a ausência de áreas verdes nas cidades.
- Segurança Alimentar: A luta pelo direito a uma alimentação digna e saudável.
Comunicação Popular: Narrar para Resistir
Um dos pilares do projeto é a comunicação popular. Para Ravi Pachêco, comunicador do encontro, a comunicação não é apenas divulgação, mas um processo político. Os agentes aprenderam a utilizar seus próprios celulares para produzir vídeos, fotos e relatos, assumindo o protagonismo de suas histórias.
“Aprendemos que comunicar é organizar, e organizar é resistir” — Ravi Pachêco.
O Cenário Estatístico: A Realidade dos Números
Para entender a importância dessa iniciativa, basta olhar para os dados do IBGE (Censo 2022). Na Paraíba, existem 282 favelas e comunidades urbanas, onde vivem mais de 210 mil pessoas. O dado mais alarmante é que apenas 43,5% desses moradores possuem acesso a esgotamento sanitário adequado, evidenciando a profunda desigualdade urbana no estado.
Além disso, a vulnerabilidade ambiental se estende ao interior, onde a Caatinga enfrenta secas severas e perda de cobertura vegetal, conforme estudos da Fundação de Apoio à Pesquisa do Estado da Paraíba.
Uma Rede de Cooperação Interinstitucional
Este projeto é o resultado de uma parceria robusta entre academia, movimentos sociais e órgãos de saúde, incluindo:
- Fiocruz Pernambuco
- Universidade Federal da Paraíba (UFPB)
- Universidade de Pernambuco (UPE)
- Movimento Mãos Solidárias e MST
- Ministério da Saúde
A formação de Agentes Populares Ambientais na Paraíba é mais do que um curso; é a semeadura de uma nova consciência coletiva. Quando a comunidade se organiza e compreende seu território, ela deixa de ser vítima das circunstâncias para se tornar agente de transformação.
Compartilhar:


