Prejuízo Milionário: PGE-RJ Move Ações para Recuperar R$ 616 Milhões do Rioprevidência

Prejuízo Milionário: A Batalha Judicial para Recuperar R$ 616 Milhões do Rioprevidência
O cenário financeiro do estado do Rio de Janeiro foi abalado por revelações alarmantes. A Procuradoria-Geral do Estado (PGE) entrou com três ações judiciais urgentes para tentar reverter um prejuízo massivo estimado em R$ 616 milhões. O montante, originário do Rioprevidência, foi aplicado em fundos ligados ao Banco Master, que atualmente se encontra em processo de liquidação extrajudicial.
De acordo com investigações da Polícia Federal, o volume total de investimentos do Rioprevidência em produtos do conglomerado Banco Master, durante a gestão de Cláudio Castro, pode chegar a impressionantes R$ 3,7 bilhões. O que começou como uma busca por rentabilidade transformou-se em um pesadelo jurídico e financeiro para os cofres públicos.
As Armadilhas Financeiras: Fundo Revolution e Texas I FIA
A PGE detalha em suas petições que o prejuízo não foi fruto do acaso, mas sim de gestões questionáveis e falta de transparência. Dois fundos principais estão no centro da disputa:
- Fundo Revolution: Com um aporte de R$ 481,4 milhões, este fundo opera sob sigilo. Os procuradores alertam que a remuneração oferecida (até 180% do CDI) está completamente fora dos padrões de mercado, sugerindo um risco desproporcional. Além disso, mudanças no regulamento, feitas sem transparência, prejudicaram diretamente o estado.
- Fundo Texas I FIA: Aqui, o cenário é ainda mais drástico. Dos R$ 150 milhões aplicados, o patrimônio sofreu uma desvalorização de 90% em apenas um ano, restando apenas R$ 14,8 milhões. A PGE alega que o Rioprevidência caiu em uma “armadilha” envolvendo a inflação artificial do preço de ações da empresa Ambipar.
A “Tempestade Perfeita” e as Medidas Judiciais
Para a Procuradoria, houve um conluio para aplicar recursos previdenciários em papéis privados sem a devida análise de risco ou lastro. A descrição é severa: uma “tempestade perfeita” que torna o calote aos cofres públicos iminente.
Para evitar a perda total desses ativos, a PGE solicitou liminares para:
- Bloqueio de Bens: O arresto de ativos, imóveis, veículos, aeronaves e até criptomoedas de gestoras como Acura e Axor, além de seus diretores.
- Liberação de Resgates: A proibição de que a Master S.A. impeça o resgate de R$ 481 milhões do Fundo Revolution.
- Auditoria Independente: A exigência de uma análise rigorosa sobre a real situação do Fundo Texas I FIA.
O Outro Lado: A Defesa das Gestoras
Questionada, a Trustee DTVM afirmou que as operações realizadas na Bolsa de Valores foram regulares e baseadas em análises técnicas e fundamentalistas. Segundo a empresa, a gestão seguiu as melhores práticas de mercado e já foi analisada pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que não teria identificado irregularidades na conduta.
Conclusão: O Impacto na Previdência Estadual
Este caso levanta discussões profundas sobre a governança de fundos previdenciários e a responsabilidade na gestão de dinheiro público. Quando a busca por retornos acima da média ignora a prudência financeira, o resultado costuma ser um prejuízo que recai sobre o contribuinte e o servidor público.
A expectativa agora reside nas decisões judiciais sobre o bloqueio de bens, medida essencial para que o Estado do Rio de Janeiro possa, eventualmente, recuperar parte do capital perdido.
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