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Relíquia Recuperada: Veja os Bastidores da Restauração dos Vitrais da Igreja da Candelária

Relíquia Recuperada: Veja os Bastidores da Restauração dos Vitrais da Igreja da Candelária

temp_image_1777109582.964248 Relíquia Recuperada: Veja os Bastidores da Restauração dos Vitrais da Igreja da Candelária

Relíquia Recuperada: Veja os Bastidores da Restauração dos Vitrais da Igreja da Candelária

Imagine cores vibrantes que atravessam o tempo, contando histórias sagradas enquanto iluminam o interior de um dos templos mais emblemáticos do Brasil. A Igreja da Candelária, no coração do Rio de Janeiro, está vivendo um momento histórico: seus magníficos vitrais passam, pela primeira vez em 127 anos, por um processo minucioso de restauração.

Se você é apaixonado por arte, história ou simplesmente quer conhecer mais sobre o patrimônio carioca, veja a seguir todos os detalhes dessa operação que une a precisão alemã à sensibilidade brasileira.

Um Resgate contra o Tempo e o Caos Urbano

Instalados em 1899 e fabricados na Alemanha, os vitrais da Candelária não enfrentaram apenas a passagem das décadas. Eles sobreviveram ao vandalismo, ao acúmulo de poeira e, principalmente, às trepidações constantes causadas pelo fluxo intenso de veículos na Avenida Presidente Vargas e na Rua da Candelária.

O projeto de restauração, coordenado pelo Instituto Rio Patrimônio da Humanidade (IRPH) e financiado pela prestigiada fundação alemã Gerda Henkel, tem a missão de devolver o brilho original a essas obras. O trabalho é de extrema delicadeza: cada vitral é desmontado em pedaços precisos e transportado com segurança máxima para evitar novas perdas.

A Arte do Sopro: Técnica e Precisão Alemã

Para substituir as peças que foram quebradas ao longo dos anos, a solução veio da fonte original. Os novos vidros foram importados da Casa Mayer, em Munique, a mesma fabricante de 1847 que criou as peças originais.

Um dos pontos altos do processo é a utilização da técnica de sopro de vidro. Veja como funciona esse processo fascinante:

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  • Execução: O ar é soprado em um tubo de vidro aquecido para criar formas e cores específicas.
  • Espessura: São utilizados vidros finíssimos (entre 3 e 4 milímetros), garantindo a luminosidade ideal.
  • Preservação: Cerca de 98% da obra original foi preservada, passando por limpeza especializada e a recuperação de cores com pigmentos de tintas com chumbo.

História e Mistérios: Quem Inspirou a Arte?

A concepção artística dos vitrais foi fruto do talento dos brasileiros João Zeferino da Costa e Henrique Bernardelli. Existe até uma curiosidade romântica envolvendo a obra: diz-se que a imagem de Nossa Senhora da Candelária foi inspirada na esposa de um amigo de Zeferino, que teria servido de modelo vivo para a pintura.

A própria igreja é um testamento de fé e persistência. Erguida originalmente para cumprir a promessa de um casal espanhol que sobreviveu a uma tempestade em alto-mar, a construção atual, em estilo barroco, levou impressionantes 123 anos para ser concluída (1775-1898).

Mais que uma Obra, um Centro de Aprendizado

O projeto não se limita apenas à manutenção física. Ele funciona como uma escola aberta. Especialistas e alunos de Museologia e Belas Artes participam de aulas práticas, aprendendo técnicas de identificação de falhas e restauração de patrimônio histórico.

Além disso, o plano inclui:

  • Um seminário internacional em agosto no Rio de Janeiro.
  • A publicação de um livro documentando todo o processo.
  • Oficinas de educação patrimonial para alunos do Educandário Gonçalves de Araújo.

Com um investimento de R$ 1,6 milhão, a restauração garante que as futuras gerações possam veja e contemplar a luz divina filtrada pelos vidros da Candelária, protegidos agora por novas telas metálicas e um sistema de ventilação moderno para combater a maresia da Baía de Guanabara.

Para saber mais sobre a preservação de monumentos históricos no Brasil, você pode visitar o site oficial do IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), a autoridade máxima na proteção de nossa memória cultural.

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