Superior Tribunal Militar: Capitão do Exército perde posto e patente após condenação por corrupção

Decisão Rigorosa do Superior Tribunal Militar contra a Corrupção
Em uma decisão unânime que reforça o rigor ético das Forças Armadas, o Superior Tribunal Militar (STM) determinou a retirada do posto e da patente de um capitão da reserva remunerada do Exército Brasileiro. O oficial foi condenado definitivamente pelo crime de corrupção passiva continuada, evidenciando que a hierarquia e a disciplina militar não toleram desvios de conduta.
Atuando como Tribunal de Honra, a Corte analisou a conduta do militar, que já havia sido sentenciado a 3 anos, 9 meses e 16 dias de reclusão em regime inicial aberto. Além da pena privativa de liberdade, o capitão deverá restituir R$ 15.236,04 aos cofres da União.
O Esquema de Fraudes: Notas Fiscais Fictícias e Empresas de Fachada
As investigações revelaram um esquema sofisticado de corrupção que ocorreu entre 2015 e 2018. Na época, o capitão era o responsável pelo Setor de Aprovisionamento da 25ª Circunscrição de Serviço Militar e da Base Administrativa da Guarnição de Fortaleza, no Ceará.
De acordo com os autos do processo, o oficial utilizava sua posição de poder para:
- Receber vantagens indevidas: Propinas eram pagas diretamente ao militar ou através de sua esposa.
- Atestar recebimentos fictícios: O capitão aprovava notas fiscais de alimentos que nunca foram entregues.
- Favorecer empresas: O esquema beneficiava fornecedores através de documentos irregulares.
A fraude foi descoberta após a Secretaria da Fazenda do Ceará (Sefaz-CE) identificar 19 notas fiscais eletrônicas inexistentes. Além disso, quebras de sigilo bancário e telemático comprovaram a comunicação direta entre o oficial e a empresa envolvida.
A Investigação e o Impacto Financeiro
O caso ganhou proporções maiores quando a Procuradoria de Justiça Militar descobriu que empresas ligadas a familiares de militares estavam participando de licitações da 10ª Região Militar. Ao todo, os contratos homologados totalizaram impressionantes R$ 34,7 milhões.
As apurações do Ministério Público Militar apontaram que tais empresas eram, na verdade, estruturas de fachada. Uma delas não possuía funcionários no endereço registrado, telefones inativos e nenhum registro na Relação Anual de Informações Sociais (RAIS), apesar dos altos valores recebidos do governo.
O Julgamento Final: Honra vs. Histórico Profissional
A condenação transitou em julgado em dezembro de 2025. Com a pena superior a dois anos, a Constituição Federal prevê que oficiais sejam submetidos a um julgamento especial para avaliar a permanência no oficialato.
A defesa do capitão tentou reverter a perda da patente, argumentando que:
- O militar possuía mais de 30 anos de serviço (ingressou em 1988).
- Acumulava condecorações e 64 registros de elogios institucionais.
- A condenação criminal não deveria levar automaticamente à declaração de indignidade.
No entanto, os ministros do Superior Tribunal Militar entenderam que a gravidade do crime de corrupção sobrepõe-se aos méritos profissionais, decidindo, por unanimidade, que o capitão era indigno para o oficialato.
Para mais informações sobre a jurisprudência e a atuação da justiça militar, você pode acessar o portal oficial do Superior Tribunal Militar.
Compartilhar:


