Tornados no Brasil: País Pode Quebrar Recorde Histórico em 2026

Tornados no Brasil: País Pode Quebrar Recorde Histórico em 2026
O cenário meteorológico no Brasil tem acendido um alerta vermelho. Após os estragos causados pelo tornado na cidade de Giruá (RS), especialistas alertam que o país está em rota de colisão com um novo recorde de eventos tornádicos. Até julho de 2026, já foram registrados 81 tornados em território nacional — um número alarmante, considerando que a temporada de pico, que ocorre entre o final do inverno e a primavera, ainda não começou.
Se a tendência continuar, o Brasil poderá superar a marca de 92 tornados registrada em 2025. De acordo com a Plataforma de Registro e Observadores de Tempestades Severas (Prevots), que conta com a parceria da UFSM e do Inpe, o aumento da frequência desses fenômenos está intimamente ligado a condições atmosféricas específicas.
O Papel do El Niño e a Geografia do Risco
Um dos principais catalisadores para este cenário é a intensidade do El Niño. O aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico torna o clima muito mais instável, favorecendo a formação de tempestades severas, especialmente na região Sul do Brasil.
Mas por que o Sul é tão vulnerável? A explicação reside no chamado “jato de baixos níveis”. Esse fenômeno consiste em um fluxo de ar quente e úmido que viaja da Amazônia em direção ao Sul. Quando essa massa de ar encontra o ar frio vindo da Patagônia argentina, cria-se um contraste térmico violento, ingrediente essencial para a formação de tempestades rotativas.
As regiões mais propensas no Brasil:
- Contorno oeste dos estados do Sul: O epicentro de maior frequência.
- Sul do Mato Grosso: Área de alta instabilidade.
- Sudeste: Embora menos frequentes, estados como São Paulo já registraram tornados intensos.
Como nasce um tornado? A ciência por trás do funil
Para que um tornado se forme, não basta apenas chuva. É necessária a presença de uma supercélula — uma tempestade que gira em torno do próprio eixo. O processo ocorre da seguinte forma:
- Correntes Ascendentes: O ar sobe intensamente dentro da nuvem.
- Cilindro Horizontal: Mudanças bruscas na direção do vento nos primeiros 1.000 metros de altura criam um cilindro de ar girando horizontalmente.
- Verticalização: A corrente ascendente da tempestade “puxa” esse cilindro para a posição vertical.
- Toque no Solo: Quando esse funil atinge a superfície, ele se torna oficialmente um tornado, capaz de gerar ventos devastadores.
Mudanças Climáticas vs. Tecnologia de Registro
Existe um debate intenso entre meteorologistas sobre o aumento real dos tornados. De um lado, especialistas como Marcelo Seluchi (Cemaden) argumentam que o aumento dos números se deve à proliferação de smartphones. Antigamente, muitos tornados passavam despercebidos; hoje, qualquer evento é filmado e compartilhado instantaneamente.
Por outro lado, pesquisadores como Francisco de Assis Diniz (Inmet) e Ernani Nascimento (Inpe) defendem que as mudanças climáticas globais estão expandindo a área de massas de ar quente, intensificando os ventos e tornando as tempestades mais frequentes e violentas nos últimos 20 anos.
O Brasil no Cenário Global
Pouca gente sabe, mas o Brasil é considerado o segundo país do mundo mais propenso à formação de tornados, ficando atrás apenas dos Estados Unidos. A combinação de relevo e a facilidade de encontro de sistemas atmosféricos distintos torna a América do Sul um terreno fértil para esses fenômenos.
O grande desafio: A previsibilidade. Devido à escala reduzida dos tornados, o tempo de alerta para as cidades é curtíssimo, variando entre 15 a 30 minutos após a confirmação de uma supercélula no radar.
Com a chegada de novas frentes frias e a influência contínua do El Niño, a recomendação é de atenção redobrada aos alertas meteorológicos oficiais, especialmente durante a primavera.
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