Uber sob Fogo: MPT Processa Empresa por Novo Modelo de Cobrança de Motoristas

Polêmica no Setor de Transportes: MPT questiona novo modelo da Uber
A relação entre a Uber e seus motoristas parceiros acaba de entrar em um novo capítulo jurídico e controverso. O Ministério Público do Trabalho (MPT) ajuizou uma ação civil pública de abrangência nacional contra a gigante da tecnologia, questionando a legalidade de um novo programa de cobrança que pode colocar milhares de trabalhadores em situação de vulnerabilidade financeira.
O centro da disputa é o chamado “Passe para Motoristas”, um sistema que altera a lógica de intermediação da plataforma. Enquanto no modelo tradicional a Uber desconta sua taxa a cada corrida realizada, o novo sistema exige que o motorista pague um valor antecipado para ter o direito de aceitar viagens.
O que é o Passe para Motoristas e como ele funciona?
O programa, que já foi testado em diversas cidades brasileiras, oferece duas modalidades principais de contratação:
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- Passe por Tempo: O motorista paga uma taxa fixa para operar durante 24h ou 72h consecutivas, ficando isento de taxas por viagem nesse período.
- Passe por Ganhos: O profissional paga um valor único e não sofre descontos de taxa de serviço até atingir um teto de ganhos preestabelecido (por exemplo, pagar R$ 240 para ganhar até R$ 1.050 sem taxas adicionais).
À primeira vista, a proposta parece oferecer previsibilidade, mas o MPT alerta para as “letras miúdas”. A compra do passe não garante um volume mínimo de corridas, deixando o motorista exposto ao risco de pagar a taxa e não conseguir recuperar o investimento através de viagens.
As graves acusações do MPT: Servidão por Dívida?
A Procuradoria Regional do Trabalho da 5ª Região argumenta que esse modelo pode criar um ciclo perigoso de endividamento. Segundo o órgão, se o motorista não tiver saldo na carteira do app, o valor do passe é debitado automaticamente de seus ganhos futuros.
Para o MPT, essa dinâmica apresenta características associadas ao trabalho em condições análogas à escravidão, especificamente a “servidão por dívida”, onde o trabalhador é forçado a continuar operando apenas para quitar a dívida contraída para poder trabalhar.
As exigências da ação incluem:
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- Suspensão imediata do programa em até 48 horas.
- Multa diária de R$ 1 milhão em caso de descumprimento.
- Pagamento de R$ 321 milhões por danos morais coletivos.
A resposta da Uber
Em nota oficial, a Uber refutou veementemente as conclusões do MPT. A empresa afirma que as alegações são baseadas em “concepções equivocadas” e “posições ideológicas”. Para a plataforma, o Passe para Motoristas é apenas uma alternativa em fase de testes para dar mais previsibilidade aos custos de intermediação.
A empresa também destacou que a Justiça do Trabalho, em decisões preliminares, recomendou cautela e prudência, indicando que os fatos sobre endividamento e retenção de créditos ainda precisam ser aprofundadamente investigados.
Impacto no Mercado e Concorrência
Além da questão trabalhista, o MPT levanta a hipótese de que esse modelo prejudique a concorrência. Ao pagar antecipadamente à Uber, o motorista se sentiria compelido a ignorar chamadas de aplicativos concorrentes, como 99 e inDrive, para tentar recuperar o valor investido.
Estima-se que, se expandido para toda a base de 1,4 milhão de motoristas, a Uber poderia arrecadar mais de R$ 1 bilhão por mês com esse sistema, transferindo o risco financeiro inteiramente para o parceiro.
Para entender mais sobre a legislação trabalhista e a proteção ao trabalhador no Brasil, você pode consultar o portal oficial do Ministério Público do Trabalho.
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