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UFRJ e a Luta pela Memória: Diplomas Póstumos Honram Vítimas da Ditadura Militar

UFRJ e a Luta pela Memória: Diplomas Póstumos Honram Vítimas da Ditadura Militar

temp_image_1789129410.052904 UFRJ e a Luta pela Memória: Diplomas Póstumos Honram Vítimas da Ditadura Militar

UFRJ e a Luta pela Memória: Diplomas Póstumos Honram Vítimas da Ditadura Militar

Em um gesto profundo de reconhecimento e reparação histórica, a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) realizou uma cerimônia emocionante para homenagear aqueles que tiveram seus sonhos e vidas interrompidos durante os anos mais sombrios da ditadura militar brasileira (1964-1985).

O evento, ocorrido no Salão Nobre do Fórum de Ciência e Cultura da UFRJ, marcou a entrega de diplomas póstumos a 22 alunos e dois mestres. Para as famílias, o ato representou não apenas a formalização de um grau acadêmico, mas a validação de que a luta desses estudantes em defesa da democracia não foi esquecida.

Memória como Escudo da Democracia

Durante a solenidade, o reitor da UFRJ, Roberto Medronho, enfatizou a importância de manter viva a história para proteger as gerações futuras. Em um discurso marcado pela humildade e pelo pedido de perdão pela demora da instituição em realizar a homenagem, Medronho afirmou:

“Uma democracia sem memória é muito vulnerável. Quando pronunciamos os nomes deles e entregamos os diplomas, estamos devolvendo essa memória à universidade.”

A ação faz parte das celebrações dos 106 anos da instituição, reafirmando o papel da UFRJ como um espaço de pensamento crítico e compromisso com os direitos humanos.

Histórias Marcadas pela Repressão

A cerimônia trouxe à tona relatos dolorosos de jovens que, em vez de se tornarem filósofos, engenheiros ou advogados, tornaram-se símbolos de resistência. Entre os homenageados, destacam-se:

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  • Stuart Edgar Angel Jones: Estudante de Ciências Econômicas, sequestrado e torturado em 1971. Seu corpo nunca foi encontrado e nenhum responsável foi punido.
  • Raul Amaro Nin Ferreira: Preso e torturado em centros de repressão como o DOPS e o DOI-Codi, Raul faleceu no Hospital Central do Exército em 1971, aos 27 anos.
  • Maria Regina Lobo Leite de Figueiredo: Vítima da “Chacina de Quintino” em 1972. Por décadas, a versão oficial alegou “confronto”, mas investigações da Comissão Estadual da Verdade provaram que se tratou de uma execução.

A Ausência de Justiça e a Necessidade de Reparação

Para muitos familiares, a entrega do diploma, embora simbólica, expõe a lacuna deixada pela impunidade. Felipe Nin, sobrinho de Raul Amaro, destacou que a homenagem supre a ausência de justiça jurídica, já que muitos dos responsáveis pelos crimes foram anistiados.

O reconhecimento da UFRJ serve como um lembrete crucial: valorizar a democracia exige encarar as cicatrizes do passado. Ao assinar os diplomas com a inscrição post mortem, a universidade não apenas preenche um registro acadêmico, mas combate o apagamento histórico.

Para saber mais sobre a luta pelos direitos humanos no Brasil, você pode consultar o portal da Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania.

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