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Veja os Riscos do El Niño: Especialista da ONU Alerta para Secas e Enchentes no Brasil

Veja os Riscos do El Niño: Especialista da ONU Alerta para Secas e Enchentes no Brasil

temp_image_1780176692.775066 Veja os Riscos do El Niño: Especialista da ONU Alerta para Secas e Enchentes no Brasil

O El Niño é Real: Mas Qual o Tamanho do Perigo para o Brasil?

Você já deve ter ouvido termos como “Super El Niño” ou “Godzilla El Niño” circulando nas redes sociais. No entanto, longe do sensacionalismo dos algoritmos, a ciência traz um alerta mais preciso e, ao mesmo tempo, preocupante. O fenômeno El Niño está confirmado, mas a grande incógnita agora é a sua intensidade.

Em audiência pública no Senado Federal, José Antonio Marengo Orsini, coordenador do principal relatório climático da ONU para a América Latina e referência no Cemaden, trouxe luz aos fatos. Para Marengo, é preciso separar a ansiedade coletiva da climatologia rigorosa: a ciência classifica os eventos como fracos, moderados, intensos ou muito intensos — o termo “super” pertence mais ao campo do jornalismo do que ao dos laboratórios.

América Latina sob Pressão: Um Retrato Agressivo

O cenário para a nossa região não é favorável. De acordo com o relatório State of the Climate in Latin America and the Caribbean 2025, a América Latina está mais quente e vulnerável do que nunca. Alguns dados impressionantes revelam a urgência do problema:

  • Temperaturas Recordes: Áreas da região registraram temperaturas até 3°C acima da média histórica.
  • Extremos Climáticos: Aumento na frequência de secas prolongadas e enchentes severas.
  • Símbolos da Perda: O desaparecimento da geleira de Chacaltaya, na Bolívia, exemplifica a velocidade devastadora das transformações climáticas.

Marengo enfatiza que esses números não são meras previsões teóricas, mas a realidade atual que impacta a economia, os ecossistemas e a vida de milhões de pessoas.

O Mapa do Risco no Brasil: Um País Dividido

Se você quer saber como o clima afetará sua região, veja a tendência histórica dos eventos intensos de El Niño no Brasil. O país tende a se dividir em dois cenários distintos e perigosos:

  1. Região Sul (RS, SC, PR e Sul de SP): Risco elevado de chuvas extremas e enchentes devastadoras.
  2. Norte e Centro-Oeste (Amazônia e Cerrado): Enfrentam secas severas, calor extremo e um aumento crítico no risco de incêndios florestais.

O agravante? O aquecimento global. Marengo explica que o El Niño não age sozinho. Quando somamos o aquecimento do Pacífico ao aquecimento global já existente, o impacto é amplificado, tornando qualquer anomalia climática muito mais destrutiva.

Impactos no Bolso e na Saúde Pública

O clima não afeta apenas a paisagem; ele atinge diretamente o custo de vida. O especialista alerta para riscos em setores estratégicos:

  • Agronegócio: Culturas como a soja podem ter a qualidade dos grãos reduzida devido ao calor excessivo.
  • Energia: A seca severa impacta os reservatórios das hidrelétricas, podendo encarecer a conta de luz.
  • Economia: A quebra de safras gera pressão inflacionária sobre os alimentos.
  • Saúde: Ondas de calor extremo aumentam a pressão sobre os sistemas de saúde pública.

Ciência vs. Desinformação: O Perigo dos “Influenciadores do Clima”

Um dos pontos mais críticos levantados por Marengo é a desinformação climática. Atualmente, muitas pessoas consomem projeções matemáticas de longo prazo como se fossem sentenças definitivas, alimentadas por influenciadores sem base técnica.

“O modelo é uma representação matemática da realidade, não a realidade em si”, explica o climatologista. Prever a intensidade exata de um evento com muitos meses de antecedência é tecnicamente impossível, e acreditar em previsões absolutas gera pânico desnecessário ou, pior, negligência.

Conclusão: Prevenir é a Única Saída

O Brasil possui tecnologia de monitoramento, mas falha na cultura de prevenção. Continuamos construindo em áreas de risco e reagindo apenas após o desastre acontecer. A mensagem final de José Marengo é clara: a articulação entre governos e a ciência é urgente. Não basta emitir alertas; é preciso agir antes que a água suba ou que o fogo avance.

Para saber mais sobre as diretrizes globais de combate ao aquecimento global, visite o site oficial do IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas).

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