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Alessandro Vieira e a CPI do Crime Organizado: Revelações sobre o Banco Master

Alessandro Vieira e a CPI do Crime Organizado: Revelações sobre o Banco Master

temp_image_1776170367.445873 Alessandro Vieira e a CPI do Crime Organizado: Revelações sobre o Banco Master

CPI do Crime Organizado: Revelações sobre os Repasses do Banco Master sob a Liderança de Alessandro Vieira

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado encerra seus trabalhos nesta terça-feira (14) sem ter analisado completamente as declarações de imposto de renda do Banco Master, recebidas da Receita Federal. Os dados revelam repasses de R$ 7,3 bilhões a 2.939 pessoas físicas e empresas entre 2022 e 2025, levantando questionamentos sobre a origem e o destino desses recursos.

O Relatório de Alessandro Vieira e os Próximos Passos

O senador Alessandro Vieira (MDB-SE), relator da CPI, incorporou essas movimentações financeiras em seu relatório final. O parecer, que será votado no último dia de trabalhos do colegiado, solicitará que órgãos de fiscalização, como a Polícia Federal, aprofundem as investigações sobre as transações do Banco Master.

“A gente vai fazer constar do relatório toda informação a que a gente teve acesso. Aquilo que a gente pôde analisar e documentar plenamente já vai ser apresentado para nossa análise. Aquilo que a gente tem apenas como início de investigação, ou como dado relevante, vai ser referido com a demanda de que se apure mais adiante em maior detalhe”, afirmou o senador Alessandro Vieira.

Detalhes dos Repasses: Quem Recebeu e o que Alegaram

As declarações de imposto de renda do Banco Master listam pagamentos a diversas empresas e pessoas físicas. O g1 procurou os maiores recebedores, e todos afirmaram ter prestado serviços à instituição financeira. Do total de R$ 7,3 bilhões, R$ 6,7 bilhões foram destinados a empresas e R$ 584 milhões a pessoas físicas.

Os rendimentos de pessoas jurídicas e físicas em aplicações financeiras no banco somaram R$ 3,3 bilhões, enquanto salários e Participação nos Lucros ou Resultados (PLR) dos funcionários do Master totalizaram R$ 491 milhões.

Conexões com Figuras de Destaque

As investigações revelaram pagamentos significativos a diversas personalidades, incluindo:

  • Viviane de Moraes: O escritório de advocacia da esposa do ministro Alexandre de Moraes recebeu mais de R$ 80 milhões.
  • Henrique Meirelles: O ex-presidente do Banco Central e ex-ministro da Fazenda recebeu R$ 18,4 milhões em consultoria.
  • Guido Mantega: O ex-ministro da Fazenda recebeu R$ 14 milhões.
  • Ricardo Lewandowski: O ex-ministro do STF e seu filho receberam R$ 5,9 milhões em consultoria.
  • Fabio Wajngarten e Ronaldo Bento: Ex-auxiliares de Jair Bolsonaro receberam R$ 3,8 milhões e R$ 6,2 milhões, respectivamente.
  • Michel Temer: O ex-presidente da República recebeu R$ 10 milhões para atuar nas tratativas de venda do Banco Master ao BRB.
  • Jaques Wagner: O líder do governo Lula no Senado e sua nora, Bonnie Bonilha, receberam R$ 289 mil e R$ 12 milhões, respectivamente.
  • Antônio Rueda: O presidente do União Brasil recebeu R$ 2,1 milhões.
  • Marconi Perillo: O ex-governador de Goiás recebeu R$ 14,5 milhões.
  • ACM Neto: O ex-prefeito de Salvador recebeu R$ 5,4 milhões.
  • Grupo Massa: Empresas da família do governador do Paraná, Ratinho Junior, receberam R$ 24 milhões.
  • Escritórios de Advocacia: Mais de meio bilhão de reais foram pagos a 91 escritórios de advocacia.

Análise Jurídica e Poderes da CPI

De acordo com o professor de Direito Constitucional da UFF, Gustavo Sampaio, o recebimento de recursos do Banco Master não implica necessariamente em irregularidade. No entanto, é crucial analisar se a prestação de serviços é compatível com o cargo público e se não há conflito de interesses.

A CPI possui o poder de quebrar sigilos bancário, fiscal e de dados telefônicos, sendo um instrumento essencial para a investigação de crimes.

Próximos Passos e Destino do Relatório

O relatório final será submetido à votação dos parlamentares da CPI. Os dados obtidos poderão embasar pedidos de indiciamento. Após o encerramento dos trabalhos, o documento será encaminhado ao Supremo Tribunal Federal, à Procuradoria-Geral da República, à Polícia Federal e à Controladoria-Geral da União.

Fonte: G1

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