×

Escândalo de Fraude: Operação Policial Investiga Desvios Milionários em Contratos de Wi-Fi em SP

Escândalo de Fraude: Operação Policial Investiga Desvios Milionários em Contratos de Wi-Fi em SP

temp_image_1780400232.55759 Escândalo de Fraude: Operação Policial Investiga Desvios Milionários em Contratos de Wi-Fi em SP

Suspeita de Fraude e Desvio de Recursos: O Caso do Wi-Fi nas Comunidades de SP

Uma operação da Polícia Civil sacudiu os bastidores da política paulistana ao investigar possíveis irregularidades em um contrato milionário de R$ 108 milhões. O foco da investigação é o Instituto Conhecer Brasil (ICB), presidido pela empresária Karina Gama, e sua relação com a Prefeitura de São Paulo na implementação de pontos de Wi-Fi gratuito em áreas periféricas.

O que começou como uma análise de prestação de contas transformou-se em um complexo emaranhado de notas fiscais canceladas, subcontratações suspeitas e conexões políticas.

A Nota Fiscal “Fantasma” de R$ 2 Milhões

Um dos pontos mais críticos da investigação envolve a empresa Complexsys Soluções Integradas Ltda. De acordo com as apurações, a empresa emitiu uma nota fiscal no valor de R$ 2 milhões em novembro de 2025 para serviços de reparo técnico.

O detalhe alarmante? A nota consta como cancelada nos registros oficiais da Prefeitura de São Paulo no mesmo dia da emissão. No entanto, o Instituto Conhecer Brasil utilizou esse mesmo documento para comprovar a execução de gastos na prestação de contas entregue ao município em fevereiro.

Conexões Políticas: O Gabinete de Mario Frias na Mira

A trama se expande para o Congresso Nacional. Documentos do Portal da Transparência da Câmara dos Deputados revelam que o gabinete do deputado federal Mario Frias (PL) destinou quantias significativas a empresas ligadas ao esquema:

    n

  • Complexsys: Recebeu R$ 154 mil entre setembro de 2024 e abril de 2026.
  • GTrend: Empresa de Wemerson Marinho da Gama (ex-marido de Karina Gama), que recebeu R$ 115,6 mil anteriormente.

A Polícia Civil investiga a similaridade between as notas fiscais das duas empresas, que utilizavam descrições idênticas para serviços de “CRM Político” (sistema de gestão de relacionamento com eleitores), sugerindo uma possível manobra de substituição de empresas para manter o fluxo de pagamentos.

Do Dinheiro Público ao Cinema: O Filme ‘Dark Horse’

A investigação também apura se houve confusão patrimonial. Karina Gama não é apenas a presidente da ONG, mas também sócia da produtora Go UP, responsável pelo filme “Dark Horse”, uma cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro.

O Ministério Público suspeita que recursos oriundos do contrato público de Wi-Fi possam ter sido desviados para financiar a produção cinematográfica. A promotora Marina Pedersolli aponta indícios de sobrepreço, ausência de capacidade técnica da ONG e direcionamento no chamamento público.

O Outro Lado: O que dizem os envolvidos?

A Prefeitura de São Paulo afirmou que colabora integralmente com as investigações e que o programa de Wi-Fi continua operando normalmente, defendendo que o processo seguiu os princípios de legalidade e transparência.

Já a empresa Complexsys declarou que atua como mera prestadora de serviços e que aguarda o desfecho do processo legal, invocando a presunção de inocência. Até o momento, Mario Frias e Karina Gama não se manifestaram oficialmente sobre as acusações.

Este caso levanta um alerta sobre a fiscalização de recursos públicos destinados a Organizações da Sociedade Civil (OSCs) e a importância da transparência ativa na gestão municipal.

Compartilhar: