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Fernando Schuler: O Perigo do Populismo Fiscal e a Ilusão das Promessas Eleitorais

Fernando Schuler: O Perigo do Populismo Fiscal e a Ilusão das Promessas Eleitorais

temp_image_1792380381.823997 Fernando Schuler: O Perigo do Populismo Fiscal e a Ilusão das Promessas Eleitorais

A Armadilha do Populismo: O Custo Invisível das Promessas Eleitorais

Você já sentiu que, em tempos de eleição, as promessas governamentais tornam-se irresistíveis? De Pix de 5 mil reais “sem precisar devolver” a combustíveis mais baratos e perdão de dívidas, a narrativa do ganho imediato domina o debate público. No entanto, como aponta o cientista político e professor do Insper, Fernando Schuler, essa dinâmica esconde um risco profundo para a saúde econômica do país.

O fenômeno descrito por Schuler é o populismo fiscal: a prática de distribuir benefícios de curto prazo para conquistar votos, ignorando a viabilidade orçamentária e o impacto a longo prazo.

As Promessas que Hipnotizam o Eleitor

Recentemente, vimos uma sequência acelerada de anúncios que parecem saídos de um catálogo de desejos:

  • Transferências Diretas: A promessa de Pix a fundo perdido que viraliza em redes sociais.
  • Alívios Tributários e Financeiros: Perdão de dívidas para MEIs e negociações especiais para grandes clubes de futebol.
  • Subsídios Temporários: Redução de preços de combustíveis estrategicamente posicionada no mês das eleições.
  • Gratuidades: Ônibus grátis em fins de semana e novos auxílios universitários.

Embora essas medidas gerem euforia imediata, a realidade dos números é alarmante. Segundo a Instituição Fiscal Independente (IFI) do Senado, o conjunto desses benefícios pode chegar a quase R$ 300 bilhões, criando um buraco orçamentário que precisará ser preenchido futuramente.

A Lógica do “Trai-Trai”: Um Equilíbrio Perverso

Fernando Schuler argumenta que estamos presos em um jogo perverso de incentivos. Quando o governo lança uma medida populista, ele coloca a oposição em um dilema: se a oposição critica a medida baseando-se na responsabilidade fiscal, ela é pintada como “inimiga do povo”.

Esse cenário incentiva a irresponsabilidade nos dois lados do espectro político. O foco deixa de ser a gestão sustentável do Estado e passa a ser a disputa por bônus eleitorais momentâneos. O resultado? O país perde, independentemente de quem vença a disputa.

Troca Intertemporal Negativa: Sacrificando o Amanhã

O ponto central da análise de Schuler é o conceito de troca intertemporal negativa. Isso ocorre quando sacrificamos a estabilidade do futuro em favor de um distributivismo imediato. Ao perdoar dívidas e distribuir gratuidades sem lastro, o Estado alimenta um déficit crônico e aumenta o endividamento público.

Essa prática prospera porque encontra eco em uma sociedade acostumada ao “rentismo” e ao Estado grande, que oferece privilégios para as elites e migalhas para a base da pirâmide social.

Existe Saída para a Mediocridade Fiscal?

Para reverter esse quadro, Schuler sugere que o Brasil precisa de coragem para tomar decisões difíceis agora, visando ganhos sustentáveis no futuro. O país já provou ser capaz disso com medidas como a autonomia do Banco Central e a reforma da Previdência.

Conclusão: Enquanto vibrarmos com Pixs “sem devolução” e gasolina barata em véspera de eleição, continuaremos a perder a “ousadia do futuro”. A verdadeira independência intelectual começa quando questionamos o custo real do que nos é oferecido como “gratuito”.

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