Governador Interino do Rio de Janeiro: Cortes no Executivo e Explosão de Gastos no Judiciário

Governador Interino do Rio de Janeiro: O Contraste entre a Austeridade no Executivo e os Gastos no TJ-RJ
Um cenário de contradições marca a atual gestão do estado. De um lado, um rigoroso plano de cortes de gastos no Poder Executivo; do outro, um salto impressionante nas despesas com diárias para viagens internacionais no Judiciário. O centro dessa polêmica é o governador interino do Rio de Janeiro, Ricardo Couto, que acumula a chefia do estado e a presidência do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ).
A Dualidade da Gestão: Cortes vs. Gastos
Enquanto Ricardo Couto promove auditorias severas em contratos e exonerações que já ultrapassam a marca de 3.000 servidores no Executivo, os números do Judiciário fluminense revelam uma realidade distinta. Sob a gestão de Couto no comando do tribunal, os gastos com diárias para hospedagem, transporte e alimentação em missões oficiais dispararam.
Para se ter uma ideia da magnitude desse aumento, observe os dados:
- n
- Gasto em 2024: R$ 1,6 milhão.
- Gasto no ano anterior (início da gestão): R$ 9,5 milhões.
- Impacto no orçamento estadual: O TJ-RJ passou a representar 18% do total de gastos com diárias do estado, contra uma média de 4% a 5% entre 2022 e 2024.
Viagens Internacionais e o Foco em Inteligência Artificial
O principal motivo para esse salto financeiro foi a autorização de diversas viagens ao exterior. Diferente de anos anteriores, onde as comitivas eram reduzidas, a gestão atual promoveu seminários e cursos em países da Europa e nos Estados Unidos com grupos volumosos de magistrados.
Um dos destaques foi a viagem a Milão, onde 40 desembargadores, 8 juízes e 2 servidores participaram de um curso sobre Inteligência Artificial. Outra missão relevante ocorreu em Madri, focada nos desafios da democracia e desinformação em contextos eleitorais. O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) estabelece padrões para a concessão de diárias, os quais o tribunal afirma seguir rigorosamente.
O Caso da Assessoria e a Atriz Gabriela Geyerhahn
Um ponto que gerou ainda mais questionamentos foi a situação da servidora Gabriela Geyerhahn, assessora da presidência do TJ. Atriz da série Arcanjo Renegado, Gabriela tornou-se a pessoa que mais recebeu diárias no período, superando inclusive o próprio presidente do tribunal. Com sete viagens à Europa, ela recebeu R$ 253 mil até abril, justificando a necessidade de antecipar as chegadas aos destinos para organizar a logística das comitivas.
Tensões Políticas e a Linha de Sucessão
Essa disparidade de gastos não passou despercebida por Douglas Ruas, presidente da Alerj. Ruas, que reivindica a governadoria com base na linha sucessória constitucional, criou uma comissão especial para analisar as despesas dos três Poderes. O embate político intensifica-se, já que Ricardo Couto ocupa o cargo de governador interino do Rio de Janeiro por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF).
A Defesa do Tribunal de Justiça
Em nota oficial, o TJ-RJ defende que não há contradição entre os cortes no Executivo e os investimentos no Judiciário. Os principais argumentos são:
- Aprimoramento Técnico: As viagens visam o intercâmbio de conhecimentos e a atualização tecnológica da instituição.
- Recursos Próprios: As despesas são custeadas pelo Fundo do Tribunal de Justiça, abastecido por taxas de serviços judiciários, e não pelo tesouro geral do estado.
- Transparência: Todos os pagamentos estão disponíveis para consulta pública no Portal da Transparência.
O caso levanta um debate essencial sobre a gestão de recursos públicos e a equidade nas medidas de austeridade quando diferentes poderes estão sob a influência de uma mesma liderança.
Compartilhar:


