Keiko Fujimori e a ‘Linha Dura’ na Educação do Peru: Disciplina ou Autoritarismo?

Keiko Fujimori e a ‘Linha Dura’ na Educação do Peru: Disciplina ou Autoritarismo?
A política educacional no Peru está passando por uma transformação drástica. A presidente Keiko Fujimori, fiel às promessas de sua campanha eleitoral, iniciou a implementação de uma agenda de “linha dura” dentro das instituições de ensino público do país. As novas medidas, que priorizam a disciplina rígida e a padronização estética, já estão gerando intensos debates entre governantes, educadores e a sociedade civil.
Regras Rígidas: O Fim do Cabelo Comprido e da Maquiagem
Durante um ato oficial em um colégio de Chaclacayo, Keiko Fujimori deixou claro que a ordem deve prevalecer não apenas nas ruas, mas também dentro das salas de aula. Para a presidente, a aparência dos alunos é um reflexo da disciplina necessária para a formação do cidadão.
As novas diretrizes para os estudantes da rede pública incluem:
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- Cabelo: Meninos estão proibidos de usar cabelos compridos; o corte curto é obrigatório.
- Estética: É totalmente proibido pintar o cabelo, usar maquiagem ou esmaltes nas unhas.
- Vestimenta: As saias escolares devem seguir um comprimento apropriado, sem exceções.
- Tecnologia: O uso de celulares foi vetado para evitar distrações e desordem.
O Retorno das Notas de Conduta e as Expulsões
Além das exigências estéticas, a gestão de Keiko Fujimori no Peru resgatou ferramentas disciplinares que haviam sido abolidas em 2019. As chamadas “notas de conduta” estão de volta, avaliando rigorosamente a pontualidade e o comportamento dos alunos.
A medida mais severa, no entanto, é a possibilidade de expulsão para os alunos considerados “malcriados” ou que cometam faltas graves, como agressões físicas. Para evitar a evasão escolar total, o governo propõe um modelo híbrido: o estudante expulso continuaria seus estudos via ensino virtual com suporte presencial pontual.
A Polêmica: Escolas Públicas vs. Privadas
Um dos pontos mais criticados por opositores, como a senadora Ruth Luque, é a disparidade na aplicação dessas regras. As normas rigorosas atingem apenas os 6,7 milhões de estudantes da rede pública (cerca de 72% do total). Já os alunos de escolas privadas, geralmente vindos de famílias com maior poder aquisitivo, permanecem sob as regras internas de suas respectivas instituições.
A senadora Luque questionou se a educação agora é medida pelo “comprimento do cabelo” e defendeu que a autoridade docente não deve ser confundida com a imposição de estereótipos de gênero ou aparência.
A Inspiração em Nayib Bukele e o Cenário Regional
A estratégia de Keiko Fujimori não acontece no vácuo. Existe uma clara inspiração no modelo de governança de Nayib Bukele, presidente de El Salvador. Bukele também implementou regras rígidas de aparência e uniforme nas escolas salvadorenhas como parte de seu projeto de “transformação total” do sistema educacional.
Keiko tem uma visita agendada a Bukele para o final de outubro. A aproximação reflete a tentativa da presidente peruana de importar métodos de combate à criminalidade e imposição de ordem para lidar com a explosão de extorsões e homicídios que assola o Peru atualmente.
Será que a disciplina estética realmente se traduz em melhoria no aprendizado ou estamos presenciando um retrocesso nos direitos individuais dos estudantes? Esse é o questionamento que agora ecoa pelas ruas de Lima.
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