Lei da Dosimetria: Entenda como a nova medida pode impactar a pena de Jair Bolsonaro

Nova Lei da Dosimetria: O Que Muda Para os Condenados do 8 de Janeiro?
Em um movimento decisivo no cenário político brasileiro, o presidente do Congresso Nacional, senador Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), promulgou a chamada Lei da Dosimetria. A medida, que será publicada em edição extra do Diário Oficial da União (DOU), gera intensos debates por permitir a redução de penas para aqueles condenados pelos ataques ocorridos em 8 de janeiro de 2023.
O ponto central de atenção recai sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, que foi condenado a 27 anos e três meses de prisão no julgamento da trama golpista. Com a nova legislação, abre-se uma possibilidade jurídica para a revisão e diminuição de sua punição, bem como de outros envolvidos nos atos.
A Batalha Legislativa: A Derrubada do Veto de Lula
O caminho para a aprovação da Lei da Dosimetria não foi simples. Inicialmente, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vetou o projeto, manifestando sua discordância com a redução das penas. No entanto, o Legislativo reagiu com força, derrubando o veto presidencial em ambas as casas:
- Câmara dos Deputados: 318 votos a favor da derrubada e 144 contrários.
- Senado Federal: 49 votos a favor da derrubada e 24 contrários.
Para que o veto fosse anulado, eram necessários 257 votos na Câmara e 41 no Senado, números que foram amplamente superados, demonstrando a vontade do Congresso em prosseguir com a medida.
A Estratégia Política e a Omissão de Lula
Um detalhe curioso desse processo foi a postura do presidente Lula. De acordo com a Constituição, após a rejeição de um veto, o chefe do Executivo tem 48 horas para promulgar a lei. Lula, contudo, optou por não fazê-lo, deixando que a competência passasse para o presidente do Senado, Davi Alcolumbre.
Fontes indicam que a estratégia do Planalto foi evitar a chamada “digital” do presidente em um projeto que beneficia condenados por atos golpistas, distanciando sua imagem da decisão final.
Manobras Jurídicas e a Lei Antifacção
Para garantir que a Lei da Dosimetria não gerasse conflitos com a Lei Antifacção — que endurece a progressão de regime para crimes hediondos e feminicídios —, Alcolumbre realizou uma manobra legislativa incomum. Ele retirou do texto trechos que facilitavam a progressão de regime para crimes graves, desmembrando o veto integral de Lula.
Essa ação permitiu que a redução de penas para os atos de 8 de janeiro fosse mantida sem comprometer o rigor aplicado a criminosos de alta periculosidade.
O Próximo Passo: Judicialização no STF
A base governista não pretende aceitar a medida passivamente. O líder do PT na Câmara, deputado Pedro Uczai (SC), já sinalizou que a medida será levada ao Supremo Tribunal Federal (STF). O principal argumento será o questionamento jurídico sobre o “fatiamento” do veto realizado pelo Congresso.
Apesar disso, analistas do Planalto acreditam que o STF pode evitar a interferência direta em uma decisão do Legislativo, tendendo a manter a validade da Lei da Dosimetria. O desdobramento deste caso será crucial para definir o futuro jurídico de Jair Bolsonaro e dos demais condenados.
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