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Míssil e a Guerra no Irã: Uma Reportagem Exclusiva

Míssil e a Guerra no Irã: Uma Reportagem Exclusiva

temp_image_1776109917.978467 Míssil e a Guerra no Irã: Uma Reportagem Exclusiva



Míssil e a Guerra no Irã: Uma Reportagem Exclusiva

Míssil e a Guerra no Irã: Uma Reportagem Exclusiva

Em meio à escalada de tensões no Irã, uma imagem impactante chamou a atenção do repórter Caco Barcellos: um míssil, paradoxalmente exaltado como um símbolo de patriotismo. Essa cena resume o complexo clima do país, onde demonstrações de afeto e fervor nacional coexistem com a realidade brutal da guerra e os constantes bombardeios.

Em uma reportagem exclusiva do Fantástico, Caco Barcellos e Thiago Jock mergulharam nos bastidores de uma viagem rara ao Irã em tempos de conflito. A equipe enfrentou uma rigorosa checagem de duas horas na fronteira – um feito que muitos repórteres internacionais tentaram, e continuam tentando, sem sucesso. Apenas três equipes estrangeiras tiveram acesso ao país: a TV Globo, uma emissora russa e uma britânica.

Seis Dias no Coração do Conflito

Durante seis dias na capital, Teerã, os repórteres documentaram os impactos devastadores do conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e o regime iraniano. O cenário é marcado pela destruição e uma tensão constante. “O que mais nos impressiona nesta guerra é que o perigo é invisível, vem de cima”, relata Barcellos. “Não se ouve nem o barulho dos aviões que lançam os mísseis.”

A equipe acompanhou funerais de militares, testemunhou o luto e o nacionalismo da população, e observou a tentativa de manter a rotina em meio ao caos. Um dos momentos mais marcantes foi o funeral de um general da Marinha iraniana, morto em um ataque no Estreito de Ormuz. Em meio ao cortejo, uma jovem expressou sua indignação: “Esse governo americano é o pior de todos os tempos.”

A Destruição e o Sofrimento

Os ataques atingiram alvos diversos, causando perdas irreparáveis. Em áreas residenciais, um único míssil destruiu lares e ceifou a vida de dezenas de pessoas. Em um dos locais visitados, 25 pessoas perderam a vida. Uma ponte em construção também foi alvo de ataques, resultando na morte de oito trabalhadores e ferimentos em 95. Entre as vítimas estava Leila Maquelli, que levava almoço para seus irmãos operários.

Hospitais e centros de saúde também foram atingidos, gerando protestos de médicos que clamavam pelo respeito à infraestrutura de saúde. Mais de 300 unidades de saúde foram afetadas, incluindo 18 instalações do Crescente Vermelho, conforme confirmado pela Organização Mundial da Saúde.

O Programa Nuclear e as Acusações

A equipe também visitou universidades atacadas e áreas onde cientistas ligados ao programa nuclear foram mortos. Ao todo, 13 cientistas já foram vítimas de ataques semelhantes. Autoridades ocidentais acusam o Irã de desenvolver armas atômicas, alegação negada pelo governo iraniano, que afirma usar o programa apenas para fins de geração de energia.

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmaeil Baghaei, rebateu as críticas, afirmando que o Irã é vítima de uma campanha de demonização.

A Vida Continua

Apesar da guerra, a vida segue em Teerã. Famílias fazem piqueniques, jovens se reúnem e manifestações acontecem diariamente. Em uma delas, moradores ofereceram chá e doces aos participantes. Mesmo sob a ameaça constante de novos ataques, a população não se intimida. “A ameaça vem do céu”, diz Barcellos.

O governo iraniano estima que mais de 3 mil pessoas morreram desde o início da guerra. O líder supremo Ali Khamenei e sua neta foram mortos no primeiro dia dos ataques, e seu filho Mojtaba foi escolhido como novo líder. Memoriais improvisados homenageiam as vítimas, especialmente crianças.

Controle do Regime e Dificuldade de Acesso à Informação

Ao longo da cobertura, os jornalistas destacaram o controle do regime sobre a sociedade e a dificuldade de ouvir vozes dissidentes. Tentativas de entrevista não tiveram sucesso. Protestos contra a crise econômica foram reprimidos pela Guarda Revolucionária, e três opositores foram enforcados no mês passado, incluindo um atleta de luta olímpica.

No final da estadia da equipe no país, um ultimato do presidente Donald Trump ameaçava intensificar os bombardeios caso o Irã não abrisse o Estreito de Ormuz. Mesmo assim, multidões permaneceram nas ruas. Pouco depois, um cessar-fogo foi anunciado, abrindo caminho para negociações para encerrar o conflito.

Para mais informações sobre o conflito no Irã, consulte:


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