O ‘Modelo El Salvador’ no Brasil: Solução Eficaz ou Risco aos Direitos Humanos?

O ‘Modelo El Salvador’ no Brasil: Solução Eficaz ou Risco aos Direitos Humanos?
O debate sobre a segurança pública no Brasil ganhou um novo e controverso capítulo. Recentemente, o ministro da Segurança Pública e Justiça de El Salvador, Gustavo Villatoro, desembarcou em solo brasileiro para apresentar o modelo de combate ao crime organizado implementado pelo governo de Nayib Bukele. O evento, realizado na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), tornou-se o epicentro de uma discussão acalorada entre eficiência governamental e garantias constitucionais.
O que é o ‘Modelo El Salvador’?
O chamado “modelo de El Salvador” baseia-se em uma abordagem de tolerância zero e repressão máxima contra gangues e organizações criminosas. A peça central dessa estratégia é a implementação de um Estado de Exceção, ferramenta que permite a suspensão de certas garantias constitucionais para agilizar prisões e condenações.
Para Villatoro, as críticas internacionais sobre violações de direitos humanos são meras “manipulações”. Durante sua palestra, ele defendeu que o Estado de Exceção é a única via para declarar guerra a um “estado criminoso paralelo”.
Resultados Impactantes vs. Custos Humanos
Os números apresentados pelo governo salvadorenho são, no mínimo, impressionantes. A queda na taxa de homicídios é o principal argumento utilizado pelos defensores do modelo:
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- 2015: 103 homicídios por 100 mil habitantes (pico da criminalidade).
- 2019: 35,9 homicídios por 100 mil habitantes (início da gestão Bukele).
- 2025: Apenas 1,3 homicídios por 100 mil habitantes.
Contudo, esse “milagre” tem um preço alto. Entidades como a Human Rights Watch e a Comissão Inter-Americana de Direitos Humanos denunciam prisões em massa sem mandados judiciais, julgamentos coletivos e a perseguição de vozes dissidentes.
A Repercussão na Política Brasileira e as Eleições de 2026
A visita de Villatoro não foi apenas técnica, mas fortemente política. Diversas figuras da direita brasileira, incluindo candidatos para as eleições de 2026, manifestaram apoio aberto às táticas de Bukele.
Flávio Bolsonaro (PL), em reunião com o ministro, defendeu a necessidade de endurecer a legislação brasileira e ampliar significativamente a população carcerária para combater crimes comuns, como o roubo de celulares. Na mesma linha, Sergio Moro (PL) afirmou que o modelo inspira “sonhos de segurança pública” e chegou a prometer a construção de um presídio de segurança máxima no Paraná batizado de “El Salvador”.
O Símbolo do Controle: O CECOT
Um dos pontos mais citados na discussão é o Centro de Confinamento do Terrorismo (CECOT). Esta megaprisão, inaugurada em 2023, é atualmente a maior das Américas, com capacidade para 40 mil detentos. Para comparação, o antigo Complexo do Carandiru, no Brasil, abrigava cerca de 8 mil pessoas, evidenciando a escala da política de encarceramento em massa adotada por Bukele.
Conclusão: Um Dilema Moderno
A discussão sobre o modelo de El Salvador no Brasil coloca em evidência o dilema entre a segurança imediata e a preservação do Estado de Direito. Enquanto parte da população e da classe política clama por medidas drásticas diante da violência urbana, juristas e defensores de direitos humanos alertam que abrir mão de garantias fundamentais pode criar precedentes perigosos para a democracia.
Acompanhe as tendências de segurança e governança global para entender como essas mudanças podem impactar o cenário jurídico brasileiro nos próximos anos.
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