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Passaporte para a Fortuna: PF Investiga Desvio de R$ 308 Milhões Envolvendo Família de Mauro Mendes

Passaporte para a Fortuna: PF Investiga Desvio de R$ 308 Milhões Envolvendo Família de Mauro Mendes

temp_image_1786043868.381924 Passaporte para a Fortuna: PF Investiga Desvio de R$ 308 Milhões Envolvendo Família de Mauro Mendes

Escândalo em Mato Grosso: O Esquema por Trás dos R$ 308 Milhões

Uma operação da Polícia Federal (PF) trouxe à tona detalhes alarmantes sobre como o dinheiro público pode ter sido transformado em um verdadeiro passaporte para a riqueza privada. As investigações apontam que uma rede complexa de fundos de investimento foi utilizada para desviar mais de R$ 308 milhões do governo do Mato Grosso, beneficiando agentes privados e, supostamente, os filhos do ex-governador Mauro Mendes.

A operação, autorizada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), visa desmantelar o que os investigadores chamam de “sofisticada cadeia de fundos”, desenhada para mascarar a origem e o destino final dos recursos.

Como Funcionava a ‘Cascata’ de Desvios?

De acordo com a PF, o esquema não foi linear, mas sim planejado através de camadas para dificultar o rastreio. Confira o passo a passo do fluxo financeiro suspeito:

  • O Acordo Inicial: Em abril de 2024, o governo estadual acordou a devolução de R$ 308 milhões à empresa Oi S.A., referentes a cobranças tributárias indevidas.
  • A Intermediação: A Oi S.A. cedeu os direitos desse valor ao escritório de advocacia de Ricardo Almeida (posteriormente nomeado desembargador do TJMT).
  • A Camuflagem: Quarenta e oito dias antes do fechamento do acordo, foram criados dois fundos de investimento. O dinheiro do governo passou por esses fundos, criando uma “cascata” financeira.
  • O Destino Final: Os recursos transitaram pela Royal Capital, seguiram para a Zurich FIM e chegaram à London FIP. Esta última adquiriu participações na empresa Parecis Bioenergia, controlada pela família Mendes através da GS Heritage.

A Decisão do STF e as Consequências

O ministro Flávio Dino destacou que a operação teve a aparência de uma transação societária lícita, mas, na essência, teria viabilizado a transferência de dinheiro público para o patrimônio privado da família do ex-governador. Entre os cotistas dos fundos beneficiados, figuram três filhos de Mauro Mendes: Luis Antonio Taveira Mendes, Maria Luiza Taveira Mendes e Ana Carolina Mendes Facures.

As medidas judiciais impostas incluem:

  • Buscas e apreensões em 25 alvos, incluindo a Procuradoria do Estado de MT.
  • Quebra de sigilos bancários e fiscais dos investigados.
  • Bloqueio de R$ 316 milhões dos envolvidos para garantir a recuperação dos valores.

Posicionamentos Oficiais

A Procuradoria-Geral do Estado do Mato Grosso afirmou, em nota, que confia nas investigações da Polícia Federal e que irá colaborar plenamente para que o caso seja esclarecido. Até o momento, as defesas de Mauro Mendes e da empresa Oi S.A. não emitiram manifestações oficiais sobre as acusações.

Este caso reacende o debate sobre a transparência na gestão de fundos de investimento e a fiscalização de acordos tributários governamentais, que muitas vezes servem como brechas para a corrupção sistêmica.

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