PF apura contrabando em avião: Entenda a investigação que envolve parlamentares e chega ao STF

PF apura contrabando em avião: Escândalo com parlamentares e ‘Jogo do Tigrinho’ chega ao STF
Um novo capítulo de investigações envolvendo altas figuras da política brasileira e o mundo das apostas online veio à tona. A Polícia Federal (PF) apura contrabando em avião após a descoberta de que cinco volumes de bagagem entraram no Brasil sem passar pela fiscalização obrigatória de raio-X.
O episódio ocorreu em abril de 2025, no Aeroporto Executivo Internacional Catarina, em São Roque (SP), e envolve nomes de peso do Legislativo, além de um empresário sob a mira de CPIs.
O que aconteceu no desembarque?
De acordo com relatórios da PF, o voo partiu da ilha de São Martinho, no Caribe — região conhecida como um paraíso fiscal e centro de cassinos. Ao pousar em solo brasileiro, a norma padrão seria a inspeção de todos os volumes. No entanto, o auditor fiscal Marco Antônio Canella teria autorizado que cinco bagagens fossem liberadas sem qualquer inspeção.
As evidências apontam que o piloto da aeronave, José Jorge de Oliveira Júnior, transportou esses volumes por fora do pórtico de segurança. Quando questionada por uma operadora de raio-X sobre a irregularidade, a reação do auditor teria sido de total banalidade, ignorando a gravidade do protocolo rompido.
Quem estava no voo?
A aeronave, um jato particular pertencente ao empresário Fernando Oliveira Lima (conhecido como Fernandin OIG), transportava passageiros de alto escalão, incluindo:
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- Hugo Motta (Republicanos-PB), presidente da Câmara;
- Ciro Nogueira (PP-PI), senador;
- Dr. Luizinho (PP-RJ) e Isnaldo Bulhões (MDB-AL), líderes partidários.
Embora o deputado Hugo Motta afirme ter cumprido todos os protocolos aduaneiros, a PF ressalta que, como as malas não foram fiscalizadas, não é possível descartar a participação de qualquer passageiro nos possíveis crimes.
A conexão com o ‘Jogo do Tigrinho’ e a CPI das Bets
O dono do avião, Fernandin OIG, não é um nome desconhecido nas investigações recentes. Ele é proprietário de empresas de apostas online, incluindo o polêmico Fortune Tiger (o “jogo do tigrinho”), e já foi alvo da CPI das Bets, que investiga manipulação de resultados e irregularidades no setor de apostas no Brasil.
Desdobramentos Jurídicos: Do Aeroporto ao STF
Devido ao envolvimento de autoridades com foro privilegiado, o caso foi encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF). O ministro Alexandre de Moraes é o relator do processo e já solicitou a manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR).
Os crimes sob investigação incluem:
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- Facilitação de contrabando ou descaminho: Quando se permite a entrada de mercadorias sem o pagamento de impostos ou proibidas.
- Prevaricação: Quando um servidor público retarda ou deixa de praticar ato de ofício para satisfazer interesse pessoal.
Enquanto a Polícia Federal aprofunda as investigações, o caso coloca sob holofotes a fragilidade da fiscalização em aeroportos executivos e a relação entre o poder político e o setor de apostas online.
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