Ricardo Couto: O Magistrado que Assumiu o Governo do RJ e a Luta Contra a Corrupção

De Juiz a Governador: A Trajetória Inesperada de Ricardo Couto no Rio de Janeiro
O cenário político do Rio de Janeiro testemunhou uma reviravolta inédita. Ricardo Couto, um desembargador com quase duas décadas de experiência e atual presidente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ), viu-se lançado em um terreno desconhecido: a governadoria do estado.
Assumindo o comando do Palácio Guanabara após a renúncia de Cláudio Castro, Couto tornou-se o terceiro na linha sucessória a assumir o leme do estado. Sem a ambição de reeleição ou amarras partidárias, o magistrado iniciou uma gestão marcada pelo rigor técnico e pela tentativa de sanear as contas públicas.
Faxina Administrativa e Combate ao Superfaturamento
Nos seus primeiros 100 dias, Ricardo Couto não hesitou em “remexer vespeiros”. Através de auditorias rigorosas, a nova gestão identificou irregularidades graves que apontam para a prática de superfaturamento em contratos públicos.
Um dos casos mais emblemáticos envolve a produção de cursos online para comunidades carentes. Segundo Couto, foi identificado um contrato onde um único profissional recebeu R$ 50 milhões por apenas 40 aulas, sem que houvesse sequer a gravação do material. O absurdo atingiu o ápice ao constatar que alguns alunos inscritos no programa já haviam falecido.
Além disso, a gestão promoveu um corte drástico na máquina pública:
- n
- Exoneração de funcionários: Mais de 3.000 cargos comissionados foram cortados, muitos deles classificados como “funcionários fantasmas”.
- Meta de redução: A previsão é chegar a 6.000 dispensas sem comprometer a entrega de serviços essenciais.
- Eficiência na Saúde: Mesmo com os cortes, a gestão conseguiu eliminar a fila de espera da oncologia.
Gestão Financeira: A Renegociação com o Governo Federal
Um dos maiores desafios de Ricardo Couto foi enfrentar o déficit bilionário do estado. Para reverter a previsão de um rombo de 19 bilhões de reais, o governador adotou medidas estratégicas de economia e negociação.
Em conversa direta com o presidente Lula, Couto conseguiu renegociar a dívida do estado do Rio, reduzindo as parcelas mensais de R$ 480 milhões para R$ 120 milhões. Essa movimentação, somada ao aporte financeiro para evitar juros, representa um abatimento expressivo de cerca de R$ 40 bilhões para os cofres fluminenses.
Outro ponto de atenção foi a compra de 220 mil câmeras de reconhecimento facial. Após análise do Tribunal de Contas, constatou-se que apenas 60 mil poderiam ser instaladas, evitando que bilhões de reais fossem desperdiçados em equipamentos que ficariam obsoletos no depósito.
Visão Política e Independência do Judiciário
Ricardo Couto acredita que a falta de “traquejo político” é, na verdade, sua maior vantagem. Sem a necessidade de agradar bases partidárias ou deputados, ele atua com maior liberdade para reduzir a estrutura do governo, planejando diminuir o número de secretarias de 32 para 23.
Sobre a tensão com a Assembleia Legislativa (Alerj), Couto defende a autonomia dos Poderes. Ele critica a tentativa do Legislativo de intervir nos gastos do Judiciário, enquanto ignora o superfaturamento em secretarias controladas por parlamentares. Para mais informações sobre a transparência dos gastos públicos, você pode consultar o Portal do TJRJ.
O Homem por Trás do Cargo
Apesar da magnitude do cargo, Ricardo Couto confessa a ansiedade e a preferência por uma “vida invisível”. Longe dos holofotes da política profissional, ele lida com a pressão do cargo alternando entre cafés, chocolates e a convicção de que sua legitimidade, embora não seja popular (via voto), é plenamente constitucional.
“Não estou preocupado com reeleição nem em agradar o partido A ou B. Posso agir com maior liberdade”, afirma o governador, que não planeja seguir carreira na política após o término de seu mandato transitório.
Compartilhar:


