Simone Tebet e a Polêmica do Domicílio Eleitoral: Ricardo Salles Questiona Candidatura ao Senado em SP

Disputa ao Senado: Ricardo Salles Questiona Vínculos de Simone Tebet com São Paulo
O cenário político para as eleições de 2026 já começou a esquentar em São Paulo. O deputado federal e pré-candidato ao Senado, Ricardo Salles (Novo), protocolou uma representação no Ministério Público Eleitoral (MPE) para questionar a legalidade da transferência do domicílio eleitoral de Simone Tebet (PSB).
A ex-ministra do Planejamento e Orçamento, que construiu sua trajetória política consolidada no Mato Grosso do Sul, agora busca uma vaga no Senado representando o estado de São Paulo. No entanto, Salles argumenta que não haveria vínculos suficientes que justificassem tal mudança, sugerindo que a manobra teria motivações exclusivamente políticas.
Os Argumentos de Ricardo Salles
Na petição apresentada, Salles sustenta que a transferência de Tebet pode ter ignorado requisitos essenciais da legislação eleitoral. Ele baseia sua crítica no histórico da pré-candidata, que foi prefeita, deputada estadual, vice-governadora e senadora por Mato Grosso do Sul.
Um ponto central da acusação é uma entrevista de agosto de 2025, na qual Tebet teria descartado a possibilidade de concorrer por São Paulo, afirmando na época: “O meu Estado chama-se Mato Grosso do Sul”. Para Salles, a mudança repentina de domicílio reflete apenas uma articulação estratégica para viabilizar a candidatura em um estado com maior peso eleitoral.
O “Caso Moro” como Precedente
Para embasar seu pedido, o deputado citou o caso do senador Sergio Moro (União Brasil). Em 2022, a transferência de domicílio de Moro do Paraná para São Paulo foi anulada pelo Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) por insuficiência de provas de vínculo efetivo com a região.
Salles acredita que a situação de Simone Tebet guarda semelhanças com a de Moro, alegando que a ex-ministra não demonstrou a ligação territorial ou pessoal exigida pelas resoluções do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
A Defesa de Simone Tebet: Vínculos Reais e Antigos
Por outro lado, a equipe de Simone Tebet afirma estar juridicamente tranquila. A ex-ministra rebateu as críticas destacando que sua ligação com São Paulo é antiga e multifacetada. Entre os pontos citados por ela, estão:
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- Família: O marido de Tebet é natural de Birigui (SP) e suas filhas residem no estado há dez anos.
- Educação: A pré-candidata realizou seu mestrado em instituições paulistas.
- Patrimônio: Tebet afirma possuir residência no Guarujá há mais de uma década.
“Minha história com São Paulo não começou ontem”, declarou Tebet em entrevista à BBC News Brasil, enfatizando que esses vínculos conferem a legitimidade necessária para sua disputa ao Senado.
Troca de Farpas com Tarcísio de Freitas
A polêmica não ficou restrita ao campo jurídico. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), também criticou Tebet e Marina Silva, afirmando que ambas não “elegeram o estado para servir”.
Em resposta, Tebet ironizou a fala de Tarcísio, lembrando que o próprio governador, natural do Rio de Janeiro, teve seu registro de candidatura questionado em 2022 por questões de domicílio eleitoral — impugnação que foi rejeitada pelo TRE-SP, que considerou seus vínculos suficientes.
O que o MPE deve apurar agora?
Ricardo Salles solicitou que o Ministério Público Eleitoral tome providências rigorosas, incluindo:
- A análise integral do processo administrativo de transferência do título de Tebet.
- A requisição de documentos fiscais, como declarações de Imposto de Renda e comprovantes de IPTU.
- A realização de oitivas para comprovar a atividade profissional e a participação comunitária da pré-candidata em solo paulista.
Com o calendário eleitoral se aproximando, a decisão do MPE e do Judiciário será crucial para definir se Simone Tebet poderá, de fato, disputar a vaga no Senado por São Paulo.
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