Universidade de São Paulo: Greve, Protestos e Desafios na USP

Universidade de São Paulo em Movimento: Estudantes e Servidores em Greve
A Universidade de São Paulo (USP) vive momentos de tensão com a aprovação de uma greve por estudantes, após a paralisação dos servidores na última terça-feira (14). A insatisfação se estende por diversas áreas, desde as condições de permanência estudantil até a valorização dos servidores e a gestão dos recursos da universidade.
Assembleia Unânime e Votações em Curso
Uma assembleia realizada no vão da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) aprovou por unanimidade a realização da greve. Centenas de estudantes participaram do encontro, demonstrando a força do movimento. No entanto, a decisão final ainda depende da votação em cada faculdade. As escolas Each (Escola de Artes, Ciências e Humanidades) e Faud (Faculdade de Arquitetura e Urbanismo e de Design) já aprovaram o boicote às aulas.
Reivindicações dos Estudantes
Os estudantes da USP reivindicam:
- Melhores condições de permanência: Aumento no valor das bolsas e auxílios para garantir o acesso e a permanência dos alunos na universidade.
- Qualidade dos serviços: Denúncias de refeições estragadas e com larvas nos restaurantes universitários, especialmente na Faculdade de Direito, evidenciam a necessidade de melhorias na qualidade dos serviços oferecidos.
- Defesa dos espaços acadêmicos: Preocupação com a minuta que visa regulamentar os espaços utilizados por centros acadêmicos, que pode impactar o comércio realizado pelas entidades estudantis.
Greve dos Servidores e o Gace
A greve dos servidores da USP foi deflagrada devido à aprovação do Gace (Gratificação por Atividades Complementares Estratégicas), um bônus de R$ 4.500 para professores que assumirem projetos considerados estratégicos. A iniciativa, que terá um impacto anual de R$ 238,44 milhões nos cofres da USP, gerou insatisfação entre os servidores, que reivindicam reajuste salarial e isonomia.
Resposta da Reitoria e Medidas Adotadas
O reitor Aluisio Segurado defendeu a gratificação como uma forma de valorizar as atividades acadêmicas e atrair talentos. A reitoria também anunciou medidas para os servidores técnico-administrativos, como a análise da viabilidade de uma valorização do plano de carreira e o reajuste dos benefícios, incluindo o vale-alimentação e o vale-refeição.
Histórico de Greves na USP
A USP possui um histórico de greves marcadas por pautas recorrentes, como reajuste salarial, financiamento da universidade e políticas de permanência estudantil. Episódios como a longa paralisação da FFLCH em 2002, a ocupação da reitoria em 2007 e a greve de 2014 demonstram a importância da mobilização para a defesa dos interesses da comunidade acadêmica.
A USP e a Permanência Estudantil
Em 2023, a USP estabeleceu uma política para dar suporte à permanência e à formação estudantil, incluindo bolsas e auxílios para alunos em situação de vulnerabilidade socioeconômica. Entre 2023 e 2025, 41,7% dos contemplados eram de famílias com renda inferior a meio salário mínimo paulista (R$ 1.804).
Próximos Passos
Nos próximos dias, cada curso e campus da USP deverá realizar uma votação para decidir se aderirá à greve. O DCE (Diretório Central dos Estudantes) acredita que a mobilização é irreversível e espera conquistar avanços concretos para a comunidade acadêmica.
Fonte: Folha de S.Paulo
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