Copel e EPE: O Futuro do Armazenamento de Energia com Usinas Reversíveis no Brasil

A Revolução do Armazenamento Energético: O Papel da Copel e da EPE
O sistema elétrico brasileiro atravessa um momento de transição profunda. Com a ascensão acelerada das fontes de energia solar e eólica, surgiu um desafio crítico: a intermitência. Como garantir que a energia esteja disponível quando o sol se põe ou o vento para? A resposta pode estar na modernização de ativos que já possuímos.
Recentemente, em um evento promovido pela Copel em parceria com a MegaWhat, a Empresa de Pesquisa Energética (EPE) revelou um plano estratégico para transformar a eficiência dos reservatórios brasileiros através de soluções de armazenamento e usinas reversíveis.
Aproveitando a Infraestrutura Existente para Reduzir Custos
A EPE está avaliando a possibilidade de integrar serviços de armazenamento em cerca de 19 GW de contratos hidrelétricos que vencerão na próxima década. Em vez de simplesmente relicitar as concessões no modelo tradicional, a ideia é incorporar a tecnologia de usinas reversíveis.
Por que isso é vantajoso?
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- Menor Custo: Utiliza-se a infraestrutura já instalada (reservatórios e conexões).
- Agilidade: A implantação é acelerada por evitar a construção do zero.
- Sustentabilidade: Facilita o licenciamento ambiental, pois as áreas já são antropizadas.
Segundo Thiago Prado, presidente da EPE, o objetivo é explorar a máxima capacidade de cada ativo, tornando a operação economicamente mais interessante para o país e para os investidores.
O Desafio do “Liga e Desliga”: A Pressão sobre as Hidrelétricas
Atualmente, as hidrelétricas convencionais assumiram um papel exaustivo no Sistema Interconectado Nacional (SIN). Elas operam em um regime de “liga e desliga” diário para compensar as oscilações das energias renováveis.
Marisete Pereira, presidente da Abrage, alerta que esse modelo gera um desgaste prematuro dos equipamentos e custos operacionais que não são devidamente remunerados. As usinas reversíveis entram aqui como a solução ideal, pois permitem armazenar o excesso de energia renovável e liberá-la nos picos de demanda, devolvendo a estabilidade ao sistema.
A Visão da Copel: Foco no Serviço, Não na Tecnologia
Um ponto fundamental destacado por Diogo Mac Cord, vice-presidente da Copel, é que a contratação de armazenamento não deve ser limitada a uma tecnologia específica (como apenas baterias químicas ou apenas reversíveis).
Para a Copel, o foco deve ser a flexibilidade. O mercado deve definir qual serviço o sistema necessita e, a partir daí, escolher a tecnologia mais eficiente para entregar esse resultado. Essa visão é essencial para que o Brasil não fique refém de soluções únicas e possa escalar sua matriz energética de forma inteligente.
Gargalos Regulatórios e o Caminho para 2026
Apesar do potencial técnico — com a EPE identificando cerca de 38 GW em áreas aptas para armazenamento hidráulico — o maior obstáculo ainda é a regulação. Questões como a remuneração do serviço de armazenamento e o modelo de contratação ainda precisam de definições claras.
Enquanto isso, o Ministério de Minas e Energia (MME) trabalha para publicar diretrizes para o leilão de reserva de capacidade de armazenamento em baterias (LRCap), com previsão de certame para o último trimestre de 2026.
Conclusão
A modernização do setor elétrico brasileiro é urgente. A integração de usinas reversíveis e a visão estratégica de empresas como a Copel e a EPE são passos fundamentais para que o Brasil continue liderando a transição energética, garantindo segurança, menor custo e máxima eficiência para todos os consumidores.
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