Crédito Predatório: Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro e Defensoria combatem abusos do Credcesta

Servidores do RJ na Mira de Empréstimos Predatórios: O Combate ao Credcesta
Uma mobilização conjunta entre a Defensoria Pública e a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (ALERJ) está acendendo um alerta vermelho para milhares de servidores ativos, inativos e pensionistas do estado. O alvo? O chamado “modelo predatório” de crédito consignado operado por instituições como o Banco Master, Credcesta, PKL One e Banco Pleno.
A Defensoria Pública, através de seu Núcleo de Defesa do Consumidor, ingressou com uma ação civil pública na Vara Empresarial da Capital para frear práticas que comprometem a subsistência de quem serve ao estado. A ação busca não apenas a justiça, mas a preservação da dignidade financeira do trabalhador.
O Que Está em Jogo na Ação Civil Pública?
A ação coletiva é rigorosa e exige medidas imediatas para interromper o ciclo de endividamento. Os principais pedidos incluem:
- Suspensão Imediata: Interrupção da oferta e comercialização do “Cartão Benefício Credcesta”.
- Transparência: Criação de um canal de atendimento ao consumidor em até 30 dias.
- Teto de Juros: Aplicação dos limites estabelecidos pelo Conselho Nacional de Previdência Social (CNPS), que variam entre 1,85% e 2,46% ao mês.
- Respeito à Margem: Garantia de que os descontos em folha obedeçam estritamente aos limites legais federais e estaduais.
Caso as determinações não sejam cumpridas, a Defensoria solicita a aplicação de uma multa diária de R$ 100 mil.
O Papel da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (ALERJ)
A luta contra os juros abusivos ganhou força no legislativo. A Comissão de Servidores Públicos da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro agendou uma audiência pública crucial para debater a situação do Credcesta. O encontro, idealizado pelo deputado Flávio Serafini, visa dar voz aos consumidores lesados.
Dados alarmantes revelados por um relatório da ALERJ mostram que a PKL One (holding da marca Credcesta) detém 13,96% de todas as adesões a serviços financeiros consignados no estado, posicionando-se como a segunda maior detentora de contratos, atrás apenas do Bradesco.
Por que esse modelo de crédito é considerado “Predatório”?
A Defensoria Pública detalha em sua ação de 64 páginas que a falta de transparência é a principal arma dessas instituições. Os principais abusos relatados são:
- Juros Abusivos: Taxas que superam 5,5% ao mês e chegam a 90% ao ano, dobrando a média do mercado de crédito consignado tradicional.
- Custo Efetivo Total (CET): Operações que alcançam CET superior a 100% ao ano.
- Sub-margem Enganosa: Utilização de decretos para criar margens adicionais que empurram o servidor para um ciclo de insolvência irreversível.
Segundo a Defensoria, essa prática fere o princípio constitucional da dignidade da pessoa humana, aniquilando o “mínimo existencial” do servidor público.
Como se proteger de abusos no Crédito Consignado?
Para evitar cair em armadilhas financeiras, é fundamental estar atento aos contratos. Recomendamos a consulta ao Banco Central do Brasil para comparar as taxas de juros médias de mercado antes de assinar qualquer acordo.
Se você se sente vítima de cobranças abusivas, procure a Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro para orientações jurídicas e proteção de seus direitos.
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