Doceria Deleites na Expocrato: O Caso dos Doces de R$ 330 e a Prática Abusiva

O ‘Golpe do Doce’: Entenda a Polêmica da Doceria Deleites na Expocrato
O que deveria ser um passeio prazeroso na Expocrato transformou-se em um pesadelo financeiro e emocional para diversos visitantes. A Doceria Deleites, uma empresa mineira participante do evento, tornou-se o centro de uma série de denúncias envolvendo cobranças exorbitantes e táticas de venda que beiram a coerção.
Relatos de clientes apontam que pedaços de doces, que inicialmente pareciam baratos, chegavam ao caixa com valores surpreendentes, atingindo a marca de R$ 330,00 em alguns casos. O motivo? Uma estratégia de pesagem confusa e a falta de clareza nas informações de preço.
Como funcionava a dinâmica de vendas?
De acordo com as vítimas, a abordagem da Doceria Deleites seguia um padrão que induzia o consumidor ao erro:
- Preço Parcial: Apenas o valor de R$ 19,90 por cada 100 gramas era exibido.
- O “Olhômetro”: O vendedor solicitava que o cliente indicasse onde deveria ser feito o corte da fatia, sem fornecer uma referência visual de quanto pesavam 100g.
- A Surpresa no Caixa: Após o corte, a pesagem revelava valores muito superiores ao esperado pelo cliente.
- Pressão Psicológica: Ao tentarem desistir da compra, clientes relataram ter sido gritados e coagidos a levar o produto sob a justificativa de que, por ser “self-service”, o item não poderia retornar à barra.
A Intervenção do Decon e o Ministério Público
Diante da repercussão nas redes sociais, o Programa Estadual de Proteção e Defesa do Consumidor (Decon), vinculado ao Ministério Público do Ceará (MPCE), realizou uma fiscalização rigorosa no stand da empresa. O resultado foi contundente: foi constatada a prática abusiva.
O promotor de Justiça Thiago Marques enfatizou que a transparência é um pilar fundamental do comércio. Segundo ele, o consumidor tem o direito de saber exatamente o que está comprando e quanto aquilo custa antes de finalizar a transação. A Doceria Deleites foi notificada a realizar adequações urgentes em sua sinalização de preços e pesos, sob risco de interdição imediata.
O Outro Lado: A Defesa da Empresa
Em pronunciamento oficial, um representante da empresa negou a existência de qualquer golpe. A alegação é que a liberdade de escolha da fatia pertence ao cliente e que, por normas da vigilância sanitária, um produto cortado não poderia ser reintegrado ao estoque. No entanto, a empresa evitou comentar sobre as denúncias de mau atendimento e constrangimento relatadas pelos consumidores.
Seus Direitos: O que fazer em casos de cobrança abusiva?
Este caso serve como um alerta importante sobre o Direito do Consumidor no Brasil. De acordo com especialistas em direito, o Código de Defesa do Consumidor (CDC) protege o cidadão contra publicidades enganosas e falta de informação clara.
Dicas para evitar situações semelhantes:
- Questione a gramatura: Sempre pergunte “quantas gramas tem este pedaço aproximadamente?” antes do corte.
- Não se sinta coagido: O consumidor não é obrigado a finalizar uma compra se houver erro na informação do preço ou indução ao erro.
- Registre tudo: Tire fotos dos preços expostos e, se possível, grave a interação em caso de conflito.
- Denuncie: Órgãos como o Procon e o Ministério Público são os canais adequados para garantir a reparação de danos materiais e morais.
A experiência na Expocrato deixa uma lição clara: a simpatia no atendimento não substitui a transparência comercial. Fique atento aos seus direitos!
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