A Colisão dos Destinos: O Documentário Polêmico Sobre Jair Bolsonaro e Suas Omissões

A Colisão dos Destinos: Entre a Humanização e as Omissões do Novo Documentário sobre Bolsonaro
O cenário político brasileiro acaba de ganhar mais um capítulo audiovisual com a estreia de “A Colisão dos Destinos”. O longa-metragem, com 70 minutos de duração, propõe mergulhar na trajetória de Jair Bolsonaro, mas já nasce cercado de controvérsias, desde a sua recepção nos cinemas até o conteúdo selecionado para a tela.
Uma Narrativa de “Humanização”
Dirigido por Doriel Francisco (Dori Filmes) e produzido pelo ex-secretário de Cultura Mario Frias, o documentário busca apresentar uma “versão humanizada” e a suposta “história não contada” do ex-presidente. A obra utiliza depoimentos de figuras próximas, como seus filhos, irmãos, assessores e parlamentares aliados, incluindo Nikolas Ferreira e Hélio Lopes.
O roteiro percorre a vida de Bolsonaro desde a infância e a carreira militar até a chegada à Presidência da República. No entanto, a obra é criticada por ser seletiva em seus fatos. Entre as principais omissões do filme, destacam-se:
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- A derrota eleitoral de 2022: O filme não menciona a perda da eleição para Luiz Inácio Lula da Silva.
- Condenações Judiciais: Não há referências à condenação por tentativa de golpe ocorrida em 2025.
- CPI da Pandemia: Embora aliados afirmem que o ex-presidente “não errou uma”, o longa ignora os indiciamentos sugeridos pela CPI da Covid-19.
Estreia com Salas Vazias
Apesar de ter sido lançado em diversas regiões do Brasil — incluindo polos como São Paulo, Minas Gerais e estados do Nordeste —, a recepção do público nos cinemas foi surpreendentemente baixa. Relatos de sessões de estreia, como a ocorrida em Embu das Artes (SP), registraram presenças mínimas, com salas quase vazias, contrastando com a expectativa gerada pelas redes sociais.
Bastidores Financeiros e Polêmicas
Além do conteúdo, a produção de “A Colisão dos Destinos” está no centro de uma tempestade jurídica. Revelações publicadas pelo site The Intercept Brasil trouxeram à tona diálogos envolvendo o senador Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro.
Segundo as investigações, teria havido um pedido de R$ 61 milhões para bancar a produção de um filme (embora haja discussões se o projeto referido seria este ou a obra de ficção “Dark Horse”). Vale ressaltar que Daniel Vorcaro encontra-se preso, acusado de liderar um esquema de fraudes financeiras que podem somar R$ 12 bilhões.
Conclusão: Cinema ou Propaganda?
Ao encerrar com imagens de ovações e a narrativa de que o ex-presidente exerce uma “missão divina”, “A Colisão dos Destinos” posiciona-se mais como uma peça de exaltação do que como um documentário biográfico rigoroso. A ausência de fatos centrais da história recente do Brasil transforma a obra em um objeto de análise sobre como a narrativa política é construída para bases específicas de apoio.
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